ID:Rio 2026, o auge da economia criativa

Em sua quinta edição, festival reúne desfiles, Fashion Fair, wellness, gastronomia, música e debates gratuitos em Niterói e Petrópolis Há encontros que acontecem para além da agenda. São aqueles em que a cidade vira cenário, a criatividade ganha corpo e a moda deixa de ser apenas roupa para assumir seu lugar como linguagem, identidade e movimento econômico. É nessa atmosfera que o ID:Rio Festival chega à sua quinta edição, entre os dias 18 e 21 de setembro, reunindo moda autoral, empreendedorismo, cultura e entretenimento em Niterói e Petrópolis. Na moda, a passarela reúne diferentes maneiras de pensar o vestir contemporâneo. Estão no lineup o upcycling de Almir França, o Ecossistema Criativo da Bolha Project, o design autoral de Denise Faertes, a moda esportiva da La Vie Sports, a produção do coletivo feminino OCA, voltada aos saberes ancestrais e à moda decolonial indígena, além da estreia da multimarcas Opinião, que apresenta uma curadoria de grifes cariocas. A programação ainda antecipa o próximo verão com um desfile de marcas da Rua dos Biquínis, de Cabo Frio. Em Niterói, a programação ocupa a Praia de Icaraí entre os dias 18 e 20 de setembro. A agenda reúne a Fashion Fair, ações de wellness da La Vie Sports, talks sobre empreendedorismo, seis momentos de moda e uma programação musical que passa por Xande de Pilares, Sávio, Baile do Zoli, Detonautas, Chico Chico e Lagum. Entre os destaques da passarela estão Almir França, Bolha Project, La Vie Sports, Opinião, Denise Faertes, Rua dos Biquínis Cabo Frio e OCA. Já Petrópolis recebe o ID:Rio no dia 21 de setembro, no Teatro Imperial, com uma programação voltada especialmente à capacitação de empreendedores do corredor produtivo da Rua Teresa, um dos principais polos de moda a céu aberto do estado, e da feira de Itaipava. A agenda de conhecimento conta com nomes como Eloísa Simão, fundadora do Fashion Rio e Fashion Business, Daniela Falcão, cofundadora da Nordestesse, e Michelle Souza, assessora de moda da Diretoria do Senai Cetiqt. Outro destaque é a Fashion Fair, que chega ampliada, com 60 participantes — o dobro da edição anterior — reunindo marcas de artesanato e moda autoral. É justamente aí que o festival ganha uma dimensão interessante: ao aproximar criação, mercado e público, transforma a moda independente em experiência, negócio e conversa. E porque moda não acontece isoladamente, o ID:Rio costura essa programação com shows, gastronomia, wellness e encontros sobre empreendedorismo. Entre as atrações musicais estão Xande de Pilares, Lagum, Detonautas, Chico Chico e Baile do Zoli. O evento é gratuito, sujeito à lotação, e tem como tema, nesta edição, “Todos nós empreendedores”. Tá no Rio? Quer ir? ID:Rio Festival 2026 18, 19 e 20 de setembro — Praia de Icaraí, Niterói 21 de setembro — Teatro Imperial, Petrópolis Entrada gratuita, sujeita à lotação Instagram: @idriofestival Imagens: Divulgação e Breno Galtier

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Moda marca a abertura do Liquidecora 2026 no CasaPark

Desfiles integrados à Casa Decorada destacaram o trabalho de estilistas e marcas em uma noite que uniu moda, arquitetura e design A temporada do Liquidecora 2026 foi aberta na noite de quinta-feira (16), com a inauguração da Casa Decorada, novo projeto do CasaPark que reúne ambientes assinados por arquitetos e designers em uma proposta voltada ao morar contemporâneo. Entre os destaques da noite, a Casa Quadra apresentou o desfile Veraneio – O Caminho até o Verão. Em vez da passarela tradicional, as modelos percorreram os ambientes da Casa Decorada, transformando a arquitetura em cenário para as coleções. A estilista Letícia Gonzaga apresentou sua leitura contemporânea da camisaria, com fibras naturais e modelagens precisas. Já a Graciano’s celebrou seus 50 anos com uma coleção de alfaiataria em couro, reforçando a tradição da marca. A inauguração reuniu arquitetos, designers, artistas, influenciadores e convidados, consolidando a proposta do CasaPark de aproximar moda, design e arquitetura em uma experiência criativa e inspiradora. Fotos: César Rebouças/Divulgação

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Santis transforma fé em alta-moda na coleção MARIA

No mês das mães e das noivas, a Santis apresenta uma coleção onde o vestir se aproxima do rito e da emoção Há coleções que nascem da tendência. Outras, da memória. A nova coleção da grife Santis parece surgir de um lugar mais delicado e profundo: da devoção. Batizada de MARIA, a linha criada por Elizabeth Santos e Jonathas Almeida mergulha no imaginário sagrado feminino para construir vestidos que transitam entre a alta-costura e o gesto espiritual. O lançamento acontece no próximo 13 de maio, no Recanto das Águas, tendo como cenário a Capela Nossa Senhora Aparecida — escolha que reforça a atmosfera quase litúrgica da apresentação. Tivemos acesso a croquis de alguns dos vestidos e trazemos, com exclusividade para que possamos apreciar. A coleção reúne dez vestidos inspirados em diferentes devoções marianas, entre elas Nossa Senhora Aparecida, de Fátima, das Graças e Guadalupe. Mas o que poderia facilmente cair no literal encontra outro caminho nas mãos de Elizabeth. Em vez de símbolos óbvios, a estilista trabalha sensações. Há uma tentativa clara de traduzir delicadeza, silêncio, força e permanência através da construção das peças. O resultado aparece em vestidos que parecem menos desenhados para um altar convencional e mais pensados como extensões emocionais de quem os veste. Tecnicamente, a coleção reafirma o domínio do ateliê sobre os códigos da moda noiva. Zibeline estruturado, gazar de seda, organzas translúcidas e camadas de tule sustentam volumes precisos sem perder leveza. A cartela cromática percorre brancos absolutos, marfins suaves e tons amanteigados, interrompidos apenas por pequenas interferências douradas, verdes e azuis — quase sussurros visuais que remetem ao imaginário sacro sem comprometer a sofisticação contemporânea da coleção. A apresentação da coleção foi concebida como uma experiência sensorial. A beleza das modelos terá assinatura de Ricardo Maia e equipe, enquanto iluminação e sonorização criam a atmosfera do desfile. Sob regência do maestro Jackson Farias, a trilha sacra reforça o caráter simbólico da coleção. O cenário será a Capela Nossa Senhora Aparecida, no Recanto das Águas, aberta especialmente para o evento. A experiência conta ainda com Federal Buffet, Drinks da Capital, doces de Léo Almeida e decoração assinada pela Ornna, de Camila Araújo. Imagens: Cedidas ao Lackman & Co.

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DFB 2026: a moda volta ao mar e mostra seu poder

Na Praia de Iracema, e conectado às celebrações dos 300 anos de Fortaleza, o festival abandona a neutralidade e assume um posicionamento: território é discurso, e autoria não se negocia Há edições que acontecem. E há edições que se posicionam. O DFB Festival 2026 pertence à segunda categoria. Ao sair do espaço neutro e reocupar a Praia de Iracema, em Fortaleza, o evento mostra mais do que uma escolha estética — faz uma escolha política. Coloca a moda de frente para o vento, para o sal, para a cidade real. E, sobretudo, para si mesma. De 9 a 12 de junho, o festival assume o tema “Praia de Iracema: coração e cérebro da Cidade Dragão” e, com isso, abandona qualquer tentativa de pasteurização com muito contexto. E isso muda tudo. A moda brasileira passou anos tentando se explicar para fora. Traduzir-se para caber. O DFB, há algum tempo, entendeu que esse esforço não é importante — e talvez até prejudicial. Em 2026, essa consciência se radicaliza: a praia não é backdrop, é narrativa Quando o desfile acontece diante do mar, não há como dissociar roupa de origem. A renda deixa de ser tendência e imprime linguagem. O feito à mão deixa de ser “detalhe” e reassume seu lugar de tecnologia ancestral. É nesse ponto que o DFB se diferencia de outros eventos do calendário: ele não simula identidade. Ele opera a partir dela. Line-up confirma movimento que já vinha se desenhando com mais construção de discurso Nomes como Lino Villaventura, Almir França são criadores que não precisam provar relevância porque já a incorporaram à própria trajetória. Ao lado deles, David Lee, Melk Zda e J. Cabral e George Azevedo reforçam uma moda que flerta com o experimental sem perder densidade. Entre os nomes confirmados, estão, Silvânia de Deus, Gabriela Fiuza, Ethos, 4 Town, além de marcas e coletivos como Casa Aika, Oco Club, Studio Orla, Almacor, 407 AA e Lire Brand revelam um deslocamento importante: a autoria deixa de ser individual e passa a ser coletiva, territorial, expandida. A moda deixa de ser assinatura e passa a ser ecossistema. A programação também evidencia a força de iniciativas colaborativas, como o projeto Mãos da Moda – com Adriana Meira, Dua, Luci Bortowski, Carnavalia, Teroy, Areia, Inttui e Morada – e o movimento Nordestesse, presente por meio de marcas como Patu e Almacor. Consistência no Concurso dos Novos Com as instituições Ateneu (CE), UCS (RS), Udesc (SC), UFCA (CE), UFPE (PE), Unifor (CE), Unipe (PB) e UTFPR (PR) e outras, o projeto segue sendo espaço para experimentar, porque é aí que surge linguagem. Enquanto parte do mercado insiste em formar profissionais prontos para vender, o Concurso dos Novos permite formar criadores que pensam. E isso, hoje, é raro. Shows e energia criativa A programação musical acontece na Arena DFB, localizada na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com atrações distribuídas ao longo dos quatro dias de festival, sempre a partir do pôr do sol. Voltada a convidados, a agenda reúne shows de artistas nacionais e locais, que serão divulgados em breve. Quer ir? DFB Festival 2026 De 9 a 12 de junho de 2016, na Praia de Iracema e no Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza (CE) Instagram: @dfbfestival  Imagens: Eduardo Maranhão e Nicholas Gondim/Divulgação

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Sou de Algodão e a chance para Casa de Criadores

Concurso abre inscrições para 2026 e convoca talentos de todo país para apresentarem coleções naturais e que valorizam o Brasil Estão abertas as inscrições para o Concurso Sou de Algodão, uma das iniciativas mais relevantes da Casa de Criadores voltadas à descoberta e valorização de novos estilistas no Brasil. Em 2026, o projeto reforça seu compromisso com a moda autoral, o uso do algodão brasileiro e a construção de narrativas criativas alinhadas à sustentabilidade e inovação. Ao longo das últimas edições, o Sou de Algodão revelou talentos como Lucas Caslú (2024/2025), Guilherme Dutra (2022) e Mateus Cardoso (2019). Na edição mais recente, a aluna do Instituto Federal de Brasília (IFB), Júlia Theófilo foi uma das finalistas. Mais do que uma competição, o concurso funciona como uma vitrine de visibilidade, amadurecimento e conexão com a indústria. Para os criadores de Brasília, o momento é estratégico. A capital tem uma cena autoral potente e diversa, ainda sub-representada em concursos nacionais desse porte. Participar do Sou de Algodão é uma oportunidade de ocupar espaço, ampliar repertório e colocar o DF no radar da moda brasileira. As inscrições já estão abertas e o regulamento completo pode ser conferido nos canais oficiais da Casa de Criadores e do movimento Sou de Algodão, ou no soudealgodao.com.br  Fotos: Divulgação

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Seres masculinos modernos riscam passarela do DFB Festival

Quem disse que pra vestir homens é necessário apenas o básico? Nada como moda que quebra padrões e atinge o desejo como forma de apreciação Moda masculina sempre foi um destaque na rica programação do DFB. Pelas passarelas cearenses do maior encontro de moda autoral da América Latina, já foram vistos muitos looks para homens de estilistas e marcas, inclusive internacionais. Pra destacar um, vale lembrar do desfile de carreira de Mario Queiroz, um dos nomes mais importantes da história da moda nacional. Uma apresentação especialmente marcante. Nesse espaço democrático oferecido pelo DFB, os criadores ousam, lançam mão de muitas tendências e apostam em gêneros mistos, cortes e modelagens inteligentes, além do uso de muita tecnologia, entretanto, com muita manualidade e heranças nordestinas. Um cesto de sensações emocionais, visceralidade, realidade e desejo. Vamos conferir alguns dos looks mais marcantes? Almir França No DFB Festival 2025, Almir França subiu a passarela com um manifesto em forma de tecido. Em parceria com a Enel, o estilista transformou o que antes era descarte em desejo, costurando futuro nas tramas de uniformes aposentados. A coleção “Energia 2025” não é só moda — é resistência, é reinvenção. Cada look carrega a memória de quem vestiu, de quem trabalhou, de quem fez girar a cidade. Modelagens estruturadas, recortes precisos e uma estética que flerta com o urbano e o sustentável. No vai e vem dos flashes, também pulsava a força das mãos que costuraram essa história — mulheres formadas pelo programa Enel Compartilha, que bordaram esperança em cada ponto. No fim, Almir não desfilou roupas. Desfilou possibilidades ao som de um trilha sonora aplaudida pela força e pelo calor e ousadia. Bruno Olly “Linha de Vento” não é só uma coleção — é memória costurada, é saudade em tecido. Bruno Olly mergulha no baú dos anos 90 e puxa de lá o cheiro do asfalto quente, o som dos passinhos, dos beats do hip hop e dos sonhos que voavam como pássaros de papel em funk. Foi capaz de emocionar plateia e guardar no peito os aplausos e gritos que “queremos mais”. Cada peça carrega um pedaço dessa travessia: da infância preta, das tardes de brincadeira, da autoafirmação nas esquinas e nas telas que ditavam moda. Tem cor de pôr do sol, tem corte que dança no corpo e tem ancestralidade pulsando em cada detalhe. No fim das contas, “Linha de Vento” é sobre vestir quem a gente foi pra seguir sendo quem a gente é. Creations LIL Foi na Sala 1 que Marcelo Mariani, cabeça e coração por trás da Creations LiL, lançou seu manifesto em forma de moda. O mineiro apresentou “The Office – O Corre”, uma coleção que rasgou a passarela com a mesma urgência de quem sabe que vestir é, antes de tudo, um ato político. Entre um look e outro, ficou clara a mensagem: transformar o passado não é nostalgia, é método. Mariani partiu da estética corporativa – essa cartilha cinza, dura, engomada – para subvertê-la com uma boa dose de ironia. A alfaiataria tradicional foi desconstruída e reinterpretada em peças que carregam não só tecidos, mas também histórias. Marcelo prova que upcycling não é um subproduto alternativo, é uma possibilidade industrial, desejável e até escalável. David Lee O badalado designer transformou a passarela em um quintal de memórias. Com a coleção “DIAGONAIS”, o estilista cearense costurou afetos e ancestralidade em peças que reverenciam o cotidiano nordestino. Panos de prato, passadeiras e tapeçarias ganharam nova vida em camisas, calças e casacos alongados, revelando uma alfaiataria amadurecida que dialoga com a tradição e a inovação. As peças, repletas de crochês florais e fibras naturais, evocaram o litoral nordestino, enquanto vestidos rodados e trabalhos manuais em três dimensões encantaram o público. “DIAGONAIS” é um manifesto visual sobre encontros, influências e a beleza do simples, reafirmando que a moda pode ser um elo entre passado e presente. George Azevedo O potiguar fez da passarela uma máquina do tempo. Com a coleção “Grande Hotel”, o estilista puxou o fio da memória e bordou cenas de uma Natal dos anos 1940 — quando a cidade virou quintal dos americanos da Base de Parnamirim. É história vestida de ironia, de cor, de afeto e de provocação. Alfaiataria afiada, pegada militar, estampas que contam casos e sussurram segredos de uma época em que gringos e potiguares cruzavam olhares e destinos. Tem pin-up, tem patch, tem sotaque carregado de passado — mas com cara de agora. George, que já escreveu moda com palavras, agora escreve com linha e tecido. Jonhson Alves Esse super estilista jogou sal grosso na passarela, acendeu incenso e vestiu fé. Sua coleção masculina é reza vestida, é abraço de benzedeira em forma de tecido. Modelagens amplas, que deixam o corpo respirar, feitas de algodão orgânico da Paraíba — aquele que nasce regado por mãos de agricultores e bênçãos ancestrais. Nos tons da terra, da cura e da proteção, cada look carrega um rosário, uma erva, um amuleto. É roupa que não veste só o corpo, veste a alma. No fim, Jonhson não apresentou moda — apresentou mandinga, memória e um pacto bonito entre tradição e futuro. Lindebergue No DFB Festival 2025, Lindebergue Fernandes transformou a passarela em ponto de revolta. Com sua coleção, o estilista cearense costurou possibilidades de revolução. Fez moda com manifesto. Seu olhar esmiúçou o trabalho como ponto de revelação do que a sociedade vive. Tocar em um assunto que mexe com as necessidades, promove a necessidade de maior atenção ao que os mais humildes passam no mercado de trabalho, enquanto CLT. O peso é carregado por quem passa o dia a se cansar sem ter o reconhecimento merecido.  Modelagens amplas e tecidos firmes se contrapõem ao dialogarem com elementos simbólicos, como estampas, criando uma estética que flerta com a dignidade e a necessidade. Cada look desfilado foi um manifesto visual sobre identidade, trabalho e perecimento, reafirmando que a moda pode ser um elo entre o que se quer e o que se tem. Oco Club No último dia de lineup, a

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Em novo capítulo, “DFB Revela” apresenta talentos egressos

Programa de reconhecimento de recém formados na universidade gera encantamento e oportunidade para alunos de todo o Estado cearense Tem coisa que jamais mudará no DFB Festival: a vontade de abrir espaço pra quem tá chegando, pra quem tem ideia na cabeça, talento nas mãos e coragem. Na edição de 2025, o projeto DFB Revela veio reafirmando o festival como vitrine e berço da moda autoral brasileira — aquela que carrega potência pra atravessar qualquer fronteira. A proposta é simples, mas certeira: colocar na passarela estilistas recém-formados, gente que acabou de sair dos corredores das universidades, mas já pisa firme no terreno da criação. É moda fresquinha, pulsante, feita por quem ainda carrega cheiro de sala de aula, mas já sonha alto. Neste 26º ano de história, o DFB Revela levou ao Centro de Eventos do Ceará desfiles assinados por egressos da UniAteneu, da UFCA (Universidade Federal do Cariri) e da UNIFOR (Universidade de Fortaleza). Foram dois dias em que a passarela virou território de experimentação, de encontro, de afirmação — um espaço onde educação, empreendedorismo e inovação caminham juntos, lado a lado, costurando o futuro da moda brasileira. Venham ver! Universidade de Atenas Uma das novidades do evento para 2025 é a perceria com várias instituições de ensino superior do Estado. A proposta é revelar nomes de alunos egressos das faculdades com talentos excepcionais e promovê-los para o mercado de moda cearense. A coleção “ÁRIDA”, da equipe de alunos da UniAteneu, mostrou amadurecimento criativo e entendimento acerca de como os profissionais evoluem adornados pela vontade de se transformarem em grandes profissionais do mercado. Com conceito embebido pelas rachaduras do solo e o silêncio do sertão, a coleção tem na força e beleza da terra nordestina o s tons terrosos — que vão do barro queimado ao ocre do entardecer — em texturas que remetem à pele da caatinga, às cicatrizes do chão, à beleza crua e intacta de um Nordeste que resiste, pulsa e encanta. ” O trabalho fala muito sobre firmeza. Sobre o calor que marca, o vento que levanta poeira e o corpo que dança em meio à secura. É uma homenagem à paisagem que molda o espírito nordestino — forte, sensível, indomável”, contou o grupo de egressos  composto por Milene Silvino, Cidda Lima, Janaina Melo, Kellyane Lopes e Igor Saint coordenados pela p rofessora Regina Almeida e orientados pelo professor Marcelo Belisário. UFCA Foi na quinta-feira, 15, que Alan Araújo riscou a passarela com cheiro de terra molhada e gosto de infância. Veio do Cariri, onde o vento sopra lendas e as pedras sabem contar histórias. Trouxe “Tem Macaxeira no Feijão”, coleção que é mais que roupa — é costura de memória. As peças nascem do que sobra, do que fica, do que resiste. Retalhos que um dia seriam silêncio, agora são voz, são cor, são gesto. A matéria-prima vem da natureza, do cuidado e das mãos calejadas de quem sabe que criar também é um jeito de sobreviver. Na roda de parceiros, nomes que também bordam sonhos: o Ateliê Ecoed, a ilustradora João Cortes e a joalheira Dayane Araújo. Juntos, eles tecem uma cartografia afetiva do Cariri — terra onde a ponte de pedra não é só paisagem, é portal. Alan é desses que carregam o sertão no peito e nas pontas dos dedos. Faz joias, faz moda, faz memória. Navega entre o brilho dos metais e a maciez dos tecidos, como quem aprende a ouvir o silêncio da matéria antes de transformar. Atua de forma livre, autônoma, mas nunca só, está no Arruma Coletivo, no NAVE, no que pulsa e no que cria. UNIFOR Na mesma travessia, a UNIFOR também soprou seus ventos. Subiram à passarela vozes novas, olhares frescos, mãos que desenham futuros. Amanda Nascimento, da Ressoar, trouxe peças que são quase oração — feitas na cadência das labirinteiras, que entrelaçam linhas como quem fia destino. Gabriele Duarte, da Boana Jeans, encenava um desfile que é espelho: moda que dialoga com o mercado, mas sem esquecer o afeto do fazer manual. Ana Beatriz Ribeiro, da Açude, abriu as gavetas da própria história e espalhou sobre a passarela as rendas, as cores e os cheiros de Juazeiro do Norte, sua terra de encantarias. E Nathan Brito, designer e stylist, fechou o ciclo com criações que são pele, são manifesto, são desejo de ser — de vestir-se como quem se revela ao mundo. Fotos: Passarela por Eduardo Maranhão / Backstage Nicolas Gondim

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DFB: Ode ao trabalho, ao sertão e uma caixa de memórias aberta

Enaltecer talentos e reformular pensamentos são funções do que o DFB Festival propõe para a edição que traz à tona o debate acerca de como a tecnologia e o uso de inteligências artificiais não subvertem a criatividade Foi sob os holofotes do Centro de Eventos do Ceará que o DFB Festival 2025 fez sua estreia oficial na noite da última quarta-feira (14). Um público diverso — entre criadores, estudantes, jornalistas e nomes fortes do setor criativo — lotou o espaço para testemunhar mais um capítulo da história que consagrou Fortaleza como polo da moda autoral brasileira. Na abertura, Claudio Silveira, idealizador e diretor do festival, subiu ao palco ao lado de sua parceira de vida e de projeto, Helena Silveira, diretora-executiva do DFB. Juntos, deram as boas-vindas a uma plateia atenta, acompanhados de figuras como Helena Barbosa, secretária de Cultura de Fortaleza; Denise Carrá, do Turismo; e Aldiane Lima, da Ceará Design — representantes de um ecossistema que respira criatividade. Em seu discurso, Claudio foi direto ao ponto: o DFB é, antes de tudo, uma vitrine da moda feita no Ceará, com identidade e coragem. “Estamos aqui, mais uma vez, ocupando esse espaço grandioso para celebrar a energia criativa do nosso povo. Fortaleza é, sim, uma cidade do design, e isso se deve à soma de esforços entre sociedade civil e poder público”, destacou. Antes que os flashes se voltassem para a passarela do desfile “100% Ceart”, Claudio recebeu nomes do alto escalão institucional — como a vice-governadora Jade Romero, a primeira-dama Lia Freitas e representantes das secretarias de Cultura e Turismo — além do presidente da Enel Ceará, José Nunes. Em tom de gratidão, reforçou a importância do apoio das esferas pública e privada para manter o festival pulsando. Com o tema Inteligência Autoral, a edição 2025 propõe mais do que desfiles: uma reflexão sobre o ato de criar. Entre tradição e inovação, identidade e futuro. O primeiro dia trouxe cinco apresentações — 100% Ceart, Jonhson Alves, Lindebergue e Almerinda Maria — divididas em duas salas, ampliando o espectro de estilos, vozes e visões. Uma amostra clara de que a moda, aqui, é território de experimentação e pertencimento. Veja os destaques dos desfiles da primeira noite de DFB Festival 2025: 100% Ceart A união faz a força e alimenta seres criativos. Juntar o ideário do 100% Ceará, que conta assinatura de curadoria do Claudio Silveira, com o trabalho de valorização do fazer cearense desenvolvido pela Central de Artesanato do Ceará (CeArt), gerou um dos mais interessantes resultados do DFB em 2025. Essa junção de saberes de moda e artesanato nunca foi tarefa fácil, mas sempre despertou curiosidade sobre como se comportam duas áreas tão atrativas e que se contapõem em tantos lugares do pensar. Novas perspectivas sobre o fazer ancestral de homens e mulheres que encontraram no artesanato sua identidade, por intermédio de linhas, formas e cores resultou em história, resgate e um passeio por locais ancestrais como Maranguape, Beberibe e Vale do Jaguaribe. Como resultado gerado, um desfile coeso, livre, criativo e tão cheio de detalhes, que nos transportou ao fazer com as mãos, mas com entrega de amores e ancestralidade. Um sonho! Jonhson Alves Ao som encantado da voz de Renata Rosa, Jonhson Alves fez mais do que apresentar uma coleção: fez um rito. Na noite de quarta, no DFB Festival 2025, o estilista alagoano apresentou “Mané do Rosário”, terceira parte de sua trilogia autoral — uma reverência à cultura popular nordestina, feita de memórias, cores terrosas e bordados que contam histórias. Jonhson caminhou das passarelas estudantis ao reconhecimento profissional com um traço firme e um coração exposto. “É um delírio emocional”, confessou, ao ver os modelos desfilando sob a trilha de “Brilhantina”, “Na Janela do Dia” e “Rosa” — escolhidas não por acaso, mas por afinidade de alma. As peças surgiram leves e profundas, como quem carrega o chão de onde veio e o transforma em arte. E talvez já tenha virado. Porque naquela noite, entre o último acorde e o último aplauso, o que se viu foi mais do que estilo. Foi identidade em estado puro, costurada à mão com emoção que emociona e que entende sobre a simplicidade do bem fazer moda para despertar não apenas o consumo, mas o coração de quem ama moda. Lindebergue Operários e prestadores de serviço, trabalhadores braçais que carregam os negócios de milinários nas costas, aqueles CLTs mesmo, sabe?! Eles foram lembrados na passarela de Lindebergue Fernandes, algo que para muitos seria impossível de assistir. Quem ainda acredita, que na moda, há algo improvável, não conhece Lili. Para ele, nada é impossível! Pois mjuito que bem, o veterano do lineup do DFB, nos faz refletir sobre temas especialmente importantes para a sociedade em 2025. O designer voltou a provocar — com poesia e crítica costuradas a ponto firme. Em sua 24ª participação no evento, o estilista cearense trouxe à cena a coleção “Quem” — um questionamento aberto, um espelho quebrado da vida adulta, uma peregrinação do céu ao inferno corporativo. “Esse desfile é sobre a vida dos trabalhadores e a saga do dia a dia deles. É ele de casa pro trabalho, sobre chegar no trabalho e e ter aquela angústia de de não estar na profissão que ele desejava. Eu quis trazer essa história deles”, contou. De ternos com ombros que pesam o mundo a peças viradas do avesso, a coleção desfila angústias diárias: a marmita vazia, a criança esquecida dentro do crachá, a busca por sentido em jornadas que adoecem mais do que realizam. A camisaria clássica vira crítica. O corpo, antes moldado, agora é carne crua em exposição. Ele manteve nos tecidos mais rígidos em contraponto com levezas, e até jeans com olhar descontruído e de inadequação, como se não fosse feito para o corpo. Tudo criado em modelagem plana, inclusive as peças volumétricas. Almerinda Maria Festa! Almerinda comemorou uma década como marca dentro do lineup do DFB. A coleção que trouxe para essa festa é um revival real de pecas desfiladas em todas as

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25 anos em livro: DFB ganha publicação histórica

Dando início ao DFB Festival de 2026, Cláudio Silveira recebeu público da moda em lançamento  No coração do Museu da Imagem de do Som, em Fortaleza, a noite da última terça-feira foi de celebração — e de memória. O pré-lançamento do livro DFB XXV marcou, com elegância e afeto, o início oficial da edição 2025 do DFB Festival. Mais do que uma publicação, o livro é um mergulho em 25 anos de moda, criatividade e histórias que ajudaram a costurar a identidade do evento. Com curadoria fotodocumental precisa e sensível, a obra resgata momentos emblemáticos do festival, entre flashes, passarelas e nomes que atravessam o imaginário da moda brasileira — Camila Queiroz, Izabel Goulart, Isabella Fiorentino e tantos outros. Cada página é um convite à memória e uma afirmação da potência criativa nordestina. No palco, Claudio Silveira, idealizador do DFB, deu o tom da noite: “Contar essa história é reconhecer o impacto cultural da moda brasileira e projetar novos caminhos”. O livro, segundo ele, é mais que um registro — é um documento de resistência, afeto e valorização da autoria. O lançamento também reforça o compromisso do festival com a preservação da memória da moda no país. E já adianta o que vem por aí: uma edição 2025 inteiramente gratuita, com uma agenda diversa de desfiles, palestras, experiências culturais e iniciativas voltadas à inovação e à formação de novos talentos. Tudo isso com o carimbo de originalidade que transformou Fortaleza em um dos grandes polos da moda autoral no Brasil. Fotos: Thaís Mesquita/Divulgação

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Costuras da moda carioca no ID:Rio

Almir França e outros estilistas apresentam criações que unem inovação, memória e reaproveitamento no Rio O ID:Rio Festival 2025 transformou Petrópolis e Niterói em palcos para a moda consciente e autoral durante o mês de abril. Com uma programação voltada para a valorização da diversidade, da sustentabilidade e do empreendedorismo local, os desfiles foram o grande destaque do evento, reunindo estilistas consagrados e novos talentos em apresentações que refletiram o espírito criativo do festival. Em cada cidade, as passarelas ao ar livre e os espaços culturais se tornaram vitrines de inovação e identidade. Durante todos os dias de programação, o festival recebeu mais de 20 marcas e designers em desfiles autorais e colaborativos, shows nacionais, ações de upcycling e feiras criativas. Em Petrópolis, as atividades se concentraram no Palácio de Cristal, enquanto em Niterói, a Praia de Icaraí e o Clube Central foram os principais palcos. Entre os destaques, shows de Vitor Kley, Maneva e Gabriel o Pensador, além de DJs como Felipe Roale, Nicole Nandes e Negralha, que animaram o público com suas performances. Em Petrópolis, o tradicional Palácio de Cristal  recebeu os desfiles com marcas da região, evidenciando o vigor do polo de confecção local. Peças com tecidos reciclados, cortes contemporâneos e detalhes artesanais desfilaram sob os aplausos de um público atento às tendências com propósito. A estética da cidade influenciou as coleções, que mesclaram o clássico e o moderno em propostas que dialogavam com a história e a renovação. Em Niterói, o desfile do estilista Almir França foi um dos momentos mais impactantes do festival. Apresentada como “Coleção Energia”, a coleção teve como eixo central o upcycling — a transformação criativa de peças antigas em novas roupas com design contemporâneo. A passarela serviu de cenário ideal para as criações, que misturaram alfaiataria desconstruída, cores vibrantes e tecidos reaproveitados em composições ousadas. A proposta estética de Almir França não apenas encantou visualmente, mas também lançou uma reflexão sobre os excessos da indústria têxtil e o potencial transformador da moda sustentável. “Sobrevivendo a partir de subculturas e crenças,  mas acima  de tudo interferindo na vida urbana e contribuindo no processo de modernidade,  dando continuidade aos resíduos Enel, reedito peças da última coleção e reaproveito muito dos resíduos deixados durante o ano das oficinas. Pensando nessas mulheres fortes e resistente vou de Carmem de Maria Callas, ciganas, pontas giras, Damas, Dames,  travestis. Tudo pautado numa cartela do vermelho , preto e cinza,  um pouco de laranja e rosa. As vezes tudo isso parecendo um grande baile”, contou o estilista. O festival também apresentou desfiles com foco em inclusão e protagonismo feminino, como foram as coleções da OCA, Kopsch Brand, CCM, Projeto Bolha e iniciativas colaborativas. No conjunto, os desfiles do ID:Rio Festival 2025 não apenas vestiram corpos, mas narraram histórias, reafirmando a moda como um instrumento de expressão cultural, crítica social e inovação estética. Fotos: Divulgação

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