DFB transforma Fortaleza em palco para moda e música

Com shows gratuitos de Fernanda Abreu, Ana Cañas, Alice Caymmi, FBC e Os Garotin, festival amplia sua vocação cultural e ocupa a Praia de Iracema com diferentes expressões da arte contemporânea Muito além das passarelas, o DFB Festival 2026 reafirma sua vocação como um dos principais encontros entre moda, música e economia criativa do país. De 9 a 12 de junho, a Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, recebe uma programação gratuita que reúne artistas de diferentes gerações e sonoridades, transformando a Praia de Iracema em um grande palco de experiências culturais. A agenda nacional traz nomes como Fernanda Abreu, Ana Cañas, Alice Caymmi, FBC e o trio Os Garotin, além de DJs, bandas e projetos independentes que movimentam a cena artística cearense. A abertura do festival será marcada pela força interpretativa de Alice Caymmi e pelo espetáculo “Ana Cañas Canta Rita Lee”, tributo à artista que redefiniu os rumos do rock brasileiro. Nos dias seguintes, o público poderá acompanhar a mistura de soul, R&B e música urbana de Os Garotin, as narrativas afiadas do rapper mineiro FBC e, no encerramento, a celebração dos 30 anos do álbum Da Lata, conduzida por Fernanda Abreu. Ao integrar música, comportamento e produção autoral em um mesmo território, o DFB amplia sua atuação como espaço de convergência entre diferentes linguagens criativas. Programação musical – Praça Verde 9 de junho (terça-feira) DJ Renata Dib Alice Caymmi Ana Cañas canta Rita Lee DJ Nego Celo 10 de junho (quarta-feira) Projeto Voyage Super Banda Os Garotin DJ Davi Fiuza 11 de junho (quinta-feira) DJ Viúva Negra 4rtin FBC DJ Priscila Delgado 12 de junho (sexta-feira) DJ Maria Tavares Transacionais Daniel Peixoto Fernanda Abreu DJ Isa Capelo Quer ir? DFB Festival 2026 De 9 a 12 de junho, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e Cidade Dragão, Praia de Iracema, Fortaleza (CE) Instagram: @dfbfestival Imagens: Divulgação

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Duas mostras imperdíveis na Cerrado Cultural

Encontro de gerações inaugura temporada de mostras onde curadorias investigam a imagem, o tempo e a interioridade pelas obras de Claudio Tozzi e mais doze artistas de expressão. No último sábado, 23 de maio, cerca de 150 convidados estiveram na Cerrado Cultural, no Lago Sul, para a abertura simultânea das exposições “Uma continuidade como respiro”, de Claudio Tozzi, e da coletiva “Abismal… Abissal”. Entre artistas, curadores, colecionadores e convidados, o público percorreu os espaços da galeria e acompanhou um panorama que articula diferentes gerações e produções da arte contemporânea brasileira. No pavimento principal, sob curadoria do italiano Cristiano Raimondi, a exposição “Uma continuidade como respiro”, de Claudio Tozzi, propõe um percurso não cronológico por mais de 20 obras, entre pinturas e esculturas realizadas de 1963 até os dias atuais. Para aproximar Brasília da atmosfera do ateliê do artista em São Paulo, as paredes da galeria receberam o mesmo tom presente na casa de Tozzi. “Mais do que apresentar diferentes fases de maneira linear, meu interesse foi evidenciar como certas tensões formais, políticas e perceptivas atravessam toda a obra de Tozzi, transformando-se continuamente sem jamais perder o seu núcleo inicial”, afirma Raimondi, destacando o diálogo entre a histórica “Multidão” (1968) e a recente “Território” (2012). No outro espaço da galeria, a coletiva “Abismal… Abissal”, com curadoria de Tálisson Melo, apresentou obras de 12 jovens artistas em destaque na cena contemporânea: Manuela Costa e Silva, Raquel Nava, Abraão Veloso, Estevão Parreiras, Rebeca Miguel, Ana Hortides, Isabela Seifarth, Talles Lopes, Walter Pimentel, Genor Sales, Tor Teixeira e Raylton Parga. Partindo da ideia de abismo como experiência geográfica e subjetiva, a exposição articula questões ligadas ao interior do país, à memória e aos atravessamentos afetivos. “O título traz dois adjetivos que compartilham a mesma raiz, o abismo. Entendi que esse profundo do abismal e do abissal dialogava tanto com a expressão ‘Brasil profundo’, usada para falar do interior, quanto com a nossa subjetividade”, afirma o curador. Para Lúcio Albuquerque, sócio-diretor da Cerrado Cultural, o encontro entre as duas exposições sintetiza o compromisso do espaço, criado em 2022 com foco na valorização da produção artística do Centro-Oeste. “Temos uma exposição de um artista com mais de seis décadas de percurso, que já faz parte da história da arte contemporânea brasileira, e uma segunda mostra coletiva que reúne a produção de 12 artistas jovens, em sua maioria do Distrito Federal e de Goiás. Com isso, podemos oferecer um panorama mais amplo sobre a vasta produção de arte contemporânea brasileira”, afirmou durante a abertura. As exposições “Uma continuidade como respiro” e “Abismal… Abissal” seguem em cartaz na Cerrado Cultural, no Lago Sul, em Brasília, até 25 de julho. O espaço fica na QI 05, Chácara 10, com entrada gratuita e visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. Mais informações podem ser acompanhadas no Instagram da galeria, @cerrado.galeria. Confira quem prestigiou o evento pelas lentes desse fotógrafo/colunista: Serviço: Uma continuidade como respiro (Claudio Tozzi) e Abismal…Abissal (Coletiva com 12 artistas) Curadorias: Cristiano Raimondi e Tálisson Melo Período expositivo: 23 de maio a 25 de julho de 2026 Onde: Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília/DF Horários: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h Entrada: Gratuita / Classificação livre Siga: @cerrado.galeria Fotos: Gilberto Evangelista

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Quando o cinema sai da tela

SESI Lab promove oficina que é um verdadeiro convite à uma imersão no universo de Jair Molina Jr. Há algo de quase artesanal e, ao mesmo tempo, profundamente experimental nas obras do cineasta Jair Sanches Molina Jr. Ele não apenas filma – ele projeta imagens mapeadas sobre palcos, paredes, corpos, telas, experimenta em holografia, realiza ficção e documentários, dirige programas de televisão e podcasts em rádio, produz festivais de cinema ao ar livre, escreve artigos e livros, enquanto articula a criação de ciclovias e novos parques pelas cidades, confundindo as fronteiras entre o que é tela, o que é espaço, e o que é tempo presente. Entre os dias 19 e 22 de maio, das 14h30 às 17h, no SESI Lab, o realizador paulista conduz uma oficina sobre Audiovisual Expandido que promete menos ensinar uma técnica do que desmontar certezas sobre o qual a função do audiovisual na contemporaneidade. O que leva um diretor de curtas premiados, como “O Plantador de Quiabos”, a dedicar anos de pesquisa ao Cinema ao Vivo e ao Videomapping dentro de companhias de teatro? Molina traz na bagagem parcerias com o Teatro Oficina de Zé Celso, a Cia. Livre e o Teatro de Narradores. Ele é professor universitário, pesquisador do LabArteMídia e autor de dois livros que escancaram poéticas e técnicas em constante movimento. O primeiro foi traduzido para seis idiomas, inclusive em russo. O mais recente, “Cinema ao Vivo e Experiências Audiovisuais em Tempo Real” (2024), funciona como diários de bordo de suas experimentações. Durante a oficina, os participantes realizarão experimentos de projeção. É um convite para pensar o audiovisual como matéria espacial, tátil, em tempo real. Mas quem é, de fato, o artista por trás dessa metodologia inquieta? O que o levou a fundar o festival Cine-Cicletada e a dirigir a produtora Okra Filmes? Há um fio invisível ligando suas memórias de criação, suas referências teatrais e sua prática docente – e ele raramente é desfiado em entrevistas convencionais. No dia 23 de maio, a partir das 10h, Molina sobe ao palco do Auditório do SESI Lab para uma palestra aberta. Será a chance de vê-lo discorrer sobre os bastidores conceituais de sua trajetória múltipla. Mas o encontro mais revelador, talvez, aconteça antes, na iluminação entre um experimento de projeção e outro, ou numa conversa informal, quando o artista se permite lembrar por que, afinal, decidiu expandir o audiovisual para além de qualquer tela. Fica a pergunta no ar: o que ainda não foi dito sobre esse criador que transita com tanta liberdade entre a tela, o palco, a sala de aula e as páginas? Serviço: 4ª Residência Artística MEU LUGAR Local: SESI Lab Endereço: Setor Cultural Sul, Bloco A, Asa Sul Acessibilidade: Libras nas palestras e oficinas no SESI Lab Mais informações e inscrições: @nucleodepesquisadacena Fotos: Alex Litvin – Unsplash (capa) / Divulgação

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A Cidade Abstrata de Luis Jungmann Girafa

A arquitetura brasiliense fica ainda mais provocativa através do olhar de Luis Jungmann Girafa em fotolivro recém-lançado.  O que é uma abstração? A pergunta – que poderia ser respondida tanto pela filosofia quanto pela psicologia, pelas artes visuais ou por tantas outras áreas do saber humano, mas quase sempre distante do concreto – encontra uma de suas possíveis e mais lúdicas definições em A Cidade Abstrata. O novo livro reúne 100 fotografias do artista multilinguagem Luis Jungmann Girafa. Com edição da Matéria Plástica Arte Atemporânea, a obra é fruto de seus mais de 70 anos de vida, dos quais mais de quatro décadas foram dedicadas às artes no Distrito Federal. “A Cidade Abstrata é uma série de fotos que dizem respeito a Brasília e que tem esse conteúdo que não é descritivo, é uma coisa mais provocativa, que são detalhes do urbanismo que nos centra. É um livro que eu busco capturar cenas que não necessariamente correspondam à realidade do que está sendo fotografado, mas que você tenha uma representação”, explica Luis Jungmann Girafa. O lançamento da obra ocorreu na segunda semana de maio, na livraria Platô (405 Sul). O público pôde adquirir a obra no local (R$ 80) e participar da sessão de autógrafos com o autor, que contou ainda com brindes, apresentação musical do Duo Teclados e Cordas – com Renato Vasconcelos e Paulo Andretta Vares – e uma exposição de diversos quadros de autoria de Girafa, que seguem disponíveis para venda. A Cidade Abstrata A publicação reúne uma seleção intuitiva do trabalho de Girafa, evidenciando o refinamento do olhar deste premiado fotógrafo, que atua também como arquiteto, cineasta e artista plástico. A obra sugere uma provocação sobre o espaço de viver e a arte, revelando não somente a geometria de Brasília e suas infinitas possibilidades, mas o interessante paradoxo de uma paisagem urbana que nasceu planejada, feita de materiais que remetem a tudo o que é sólido e perene. De fato, as imagens captadas por Girafa proporcionam novos ângulos e leituras acerca da capital: a institucionalidade brutalista contrasta com certa precariedade; frestas por onde pessoalidades vazam outros matizes. Transeuntes anônimos, trabalhadores e usuários do equipamento urbano completam e vivificam as cenas. Fruto de financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o projeto prevê ainda a distribuição gratuita de 30% da tiragem. Nas páginas de A Cidade Abstrata, fica evidente que “a luz torna-se forma geométrica, a linha se transforma em traço de cor, a textura ganha proporção, e o volume se define como espaço dentro do enquadramento. Luiz Jungmann evidencia, em suas imagens, os variados da linguagem visual, deixando, ao mesmo tempo, uma brecha para o simbólico e o lírico, marcando o desejo de busca pela expressão sensível, em que os elementos visíveis não se limitam a formas composicionais, mas transmitem intensidades subjetivas”, afirma a curadora Cinara Barbosa. “Nesse ritmo, o livro apresenta imagens que quebram padrões, ora de um modo, ora de outro, trazendo movimento por meio de vestígios de plástico bolha, telas de sombreamento utilizadas na construção civil, sugerindo o passado da cidade planejada. Ao mesmo tempo, revela a Brasília que se transforma em uma escala cotidiana de presença viva, tecida pelas marcas de sua ocupação humana”, complementa a curadora. Responsável pela pergunta inicial deste texto, a poeta brasiliense Maria Lúcia Verdi – que assina o texto de abertura do livro – acredita que a intenção de Luis Jungmann Girafa é 100% provocativa na obra ao estampar “imagens que documentam a interminável possibilidade de abstração, contida na geometria de Brasília. Recortes exatos, detalhistas, olhar preciso sobre construções e desconstruções presentes na cidade – neles, a presença do cimento, da pedra, do ferro, do vidro, da madeira, do plástico, da argila. Os corpos do concreto em todas as gradações do cinza e em todas as cores. Mas existem reflexos, traços, riscos, fraturas encontráveis em distintas superfícies, que remetem literalmente à arte abstrata – o olhar vagando do chão ao teto, recolhendo-as”. Já o autor modestamente afirma ser um “fotógrafo sem estilo” que acredita que “a fotografia tem que ir para o papel. Seja no jornal, na revista, no porta-retratos, na parede ou nas páginas de um livro”. Como é o caso de A Cidade Abstrata, um trabalho que nasceu e se desenvolveu de forma muito intuitiva. “Eu não pretendo guiar o olhar de ninguém, prefiro que as pessoas gostem, de alguma forma, que se sintam atraídas pelas imagens e assim façam a sua própria viagem”, sentencia. Sobre o autor Luis Jungmann Girafa é uma figura múltipla e transdisciplinar, um autêntico “homem renascentista” do Planalto Central, cuja atuação transita de forma fluida por diversas linguagens. Arquiteto, artista plástico, fotógrafo, cineasta, poeta, cenografista, ilustrador e professor, Girafa tem sua trajetória profundamente entrelaçada com Brasília – cidade onde absorveu, desdobrou e reinventou a herança modernista. Graduado e mestre pela Universidade de Brasília (UnB), onde se consolidou como professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), ele utiliza a visão espacial e o rigor construtivo como alicerces de sua produção. Nas artes plásticas, destaca-se pela abstração geométrica e pela criação de “maquetes poéticas”. Na fotografia, premiada e reconhecida nacionalmente, foge do mero registro para investigar texturas e composições geométricas, fazendo a ponte entre a tradição dos pioneiros construtivistas e a arte visual contemporânea. Essa mesma percepção do espaço e da luz é transportada para o audiovisual, área em que atua com direção de arte e direção-geral (como no projeto Eu Não Sei), tendo sido consagrado no 54º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2021) com dois troféus Candango de Melhor Filme e Melhor Montagem pelo longa-metragem Acaso. Em essência, Girafa une a precisão do arquiteto à subversão do artista: domina as regras do espaço e da gravidade para, por meio da arte, subvertê-las e criar novos mundos. Serviço: “A Cidade Abstrata”, de Luis Jungmann Girafa À venda na Livraria Platô – CLS 405, Bloco A, Loja 12, Asa Sul – Brasília/DF Valor do livro: R$ 80 (à venda no local ou diretamente com o autor –

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“Rave é uma arte”

A notícia que abalou o mundo da música: após duas décadas, a Rainha do Pop decide revisitar a pista de dança mais famosa do mundo e anuncia a sequência do icônico álbum de 2005. E tem mais novidade chegando neste sábado…   Hoje eu aproveito este espaço que a Coluna #PERAMBULANDO me proporciona para dividir com vocês uma das minhas grandes paixões: Madonna. Sim, este jornalista é um dos milhões de fãs dessa mulher incrível que, no começo da semana, parou a internet ao anunciar o lançamento de mais um álbum de estúdio, o aguardadíssimo Confessions II. E como se já não fosse o suficiente para o caração de um fã alucinado, há pouco mais de três horas, neste sábado 18 de abril de 2026 (dia do meu aniversário) ela me presenteia com o lançamento da primeira música em suas plataformas digitais: I Feel So Free… Obrigado pelo present Madge! O fato de que essas novidades deixam muita gente contando os dias é completamente compreensível: afinal, após mais de quatro décadas de carreira, ela continua encantando e, acima de tudo, ditando o ritmo do jogo. Isso porque, desta vez, a eterna “Material Girl” decidiu olhar para o próprio legado para projetar o futuro. Confessions II chega como a continuação direta do aclamado disco de 2005, que nos presenteou com o hino Hung Up. Em comunicado oficial divulgado pela Billboard, Madonna foi enfática sobre a filosofia por trás desse novo trabalho: “Eu queria voltar ao lugar onde a liberdade é a única regra. Para mim, a rave é uma arte; é um espaço sagrado de expressão onde o corpo e o espírito se fundem na batida“. Essa declaração explica muito sobre a sonoridade que podemos esperar: um mergulho profundo na cultura clubber, mas com a maturidade e a visão artística que só ela possui. Aos 67 anos, Madonna prova que a idade é apenas um detalhe diante de uma mente que não para de criar. O burburinho global – que dominou desde as manchetes do G1 até os portais da BBC, sem falar nas publicações especializadas – confirma que o mundo ainda precisa da dose de ousadia que só a Rainha do Pop sabe aplicar. Ela não está apenas lançando músicas novas; ela está reivindicando seu trono na pista de dança, reafirmando que a celebração e a arte de se perder na música são essenciais. Eu, particularmente, já estou com a minha playlist de aquecimento pronta, revisitando os clássicos enquanto aguardo esse novo capítulo que promete redefinir, mais uma vez, o que entendemos por música pop de qualidade. E do outro lado da tele, quem por aí também está com o nível de curiosidade nas alturas por conta de Confessions II? Fotos: Reprodução

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O reencontro de Brasília, Débora Falabella e Prima Facie

Assistido por mais de 150 mil espectadores, em pouco mais dois anos desde a sua estreia, espetáculo sobre advogada de abusadores conquistou as principais premiações do teatro. Em cena, Débora Falabella vive a bem-sucedida advogada Tessa, que tem acusados de violência sexual entre seus clientes. Vinda de uma família pobre, ela batalhou e venceu no complexo mundo da advocacia. Ao mesmo tempo em que experimenta o sucesso, Tessa precisa encarar uma crise que a obriga a rever uma série de valores e princípios, além de refletir sobre o sistema judicial, a condição feminina e as relações conturbadas entre diversas esferas de poder. Prima Facie cumpre temporada nos dias 30 de abril e 1ª de maio no Teatro Planalto, do Centro Convenções Ulysses, com sessões quinta, às 20h, e sexta, às 15h30 e às 20h. Mas corra e garanta seu lugar pelo Sympla, pois os últimos ingressos da sessão extra estão quase acabando, e os das demais já não restam mais. O fato é que a montagem, que estreou em abril de 2024 no Rio de Janeiro, é um verdadeiro fenômeno de público. Com curtas temporadas de sessões lotadas em Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, além dos oito meses em cartaz em São Paulo e dos quatro no Rio de Janeiro, a peça alcançou um público superior a 150 mil espectadores. Em agosto de 2024 em Brasília, o espetáculo recebeu a ministra Cármen Lúcia, do STF, Ayres Britto, ex-ministro do STF, e a ex-subprocuradora Geral da República, Raquel Dodge, para uma bate-papo após a sessão. Durante a temporada no Rio de Janeiro, foram debatidos temas como a representatividade feminina no judiciário e a legislação de violência sexual, com a presença de advogadas de esferas distintas. Desde a sua estreia em Londres, em 2022, Prima Facie seguiu uma trajetória meteórica. Escrito por Suzie Miller, o texto ganhou dezenas de montagens ao redor do mundo, conquistou a Broadway e o West End inglês, e inspirou debates e esforços para mudar algumas leis britânicas. Devido ao êxito, a autora foi convidada para debater sobre o abuso contra mulheres na ONU. Premiações Débora Falabella venceu os Prêmios Shell, APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), APTR (Associação de Produtores de Teatro) e Bibi Ferreira de Melhor Atriz. Já a obra recebeu o Prêmio Arcanjo de Melhor Solo e outros quatro troféus da APTR, sendo: Direção (Yara de Novaes), Cenografia (André Cortez), Iluminação (Wagner Antonio) e Figurino (Fabio Namatame).  Ficha técnica Atuação: Débora Falabella | Texto: Suzie Miler | Direção: Yara de Novaes | Tradução: Alexandre Tenório | Cenário: André Cortez | Figurino: Fabio Namatame | Iluminação: Wagner Antonio | Trilha Sonora: Morris | Consultoria jurídica: Maria Luiza Gomes e Mateus Monteiro | Direção de Produção: Catarina Milani | Assistentes de Direção: Ivy Souza e Renan Ferreira | Idealização: Edson Fieschi e Luciano Borges | Realização: Borges & Fieschi Produções e Antes do Nome | Assessoria de imprensa em Brasília: Território Comunicação | Produção em Brasília: DECA Produções. Corre que está acabando! Prima Facie / Teatro Planalto do Centro de Convenções Ulysses – Setor de Divulgações Culturais (SDC), Lote 5, Eixo Monumental / 30 de abril e 1º de maio – quinta, às 20h, e sexta, às 15h30 e às 20h / Ingressos pelo Sympla a partir de R$ 80 / 100 minutos / 14 anos / Siga @primafaciebrasil Com informações da Assessoria de Imprensa – Fotos: Annelize Tozetto

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Sonho Elétrico já está em cartaz

Com texto original e direção de Marcio Abreu, o espetáculo dialoga com a obra do neurocientista Sidarta Ribeiro e traz reflexão sobre a importância de sonhar coletivamente.   “Visto de cabeça para baixo, esse mundo torto pode ter jeito”, escreveu Sidarta Ribeiro em seu livro Sonho Manifesto, que foi um dos pontos de partida para a pesquisa e criação da peça Sonho Elétrico, que chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, e cumpre temporada até 3 de maio de 2026, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Com texto e direção de Marcio Abreu e produção da Companhia Brasileira de Teatro, que está celebrando seus 25 anos de atividades ininterruptas, o espetáculo tem o elenco formado pelos artistas Verónica Valenttino, Jessyca Meyreles, Idylla Silmarovi e Cris Meirelles, e a presença do pianista Luís Chamis em cena. Os ingressos custam R$ 15 (a meia-entrada) e podem ser adquiridos a partir de 8 de abril de 2026 pelo site ccbb.com.br/brasilia e na bilheteria física. O espetáculo que não é recomendado para menores de 16 anos tem programadas duas sessões com Intérprete em LIBRAS aos domingos, nos dias 19 e 26 de abril. Em Sonho Elétrico, uma artista e integrante de uma banda (Verónica Valenttino) é atingida por um raio. Em estado de coma, a protagonista navega pelo limiar entre vida e morte, explorando memórias, sonhos e a possibilidade de despertar para uma nova chance. A narrativa se desenvolve como um percurso sensível na mente de uma artista, servindo como metáfora para a iminência do fim e as oportunidades de transformação que podemos ter enquanto comunidade planetária. A peça, em diálogo com a obra e a interlocução de Sidarta Ribeiro, neurocientista, capoeirista e escritor brasileiro, tem como ponto de partida seu livro Sonho Manifesto: Dez exercícios urgentes de otimismo apocalíptico, no qual compartilha conhecimentos de cientistas, pajés, xamãs, mestras e mestres de saber popular, artistas e inventores que nos lembram da importância de sonhar e agir coletivamente para o futuro do planeta. Também é a continuidade da pesquisa da companhia brasileira de teatro sobre o sonho, a História e a memória, individual e coletiva, iniciada em seu espetáculo anterior, AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] (2024). “O autor consegue articular através de uma linguagem direta e acessível um conjunto de proposições e de temas muito diversos, atuais e urgentes. Essa capacidade de diálogo com as pessoas e com a sociedade plural na qual vivemos é o principal ponto de convergência entre o pensamento de Sidarta Ribeiro e o que buscamos nessa peça: uma obra fundamental para consolidar a importância social da arte e seu potencial transformador, que revisita o passado e inspira ações para o futuro, agora”, comenta Marcio Abreu. Sonho Elétrico é uma pesquisa, criação e produção dos membros da companhia brasileira de teatro: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria. Com equipe diversa de multiartistas e parceiros colaborativos da companhia, conta com as colaborações criativas de: Key Sawao, bailarina e artista da cena, e que assina a direção de movimento da peça; trilha sonora original e direção musical do multi-instrumentista e compositor Felipe Storino, com colaboração da compositora e cantora Juliana Linhares; assistência de direção do ator, bailarino e pesquisador Fábio Osório Monteiro; figurinos do estilista e criador mineiro Luiz Cláudio Silva e seu Apartamento 03. A Gênese do Projeto Sonho Elétrico é fruto de um processo criativo que se desenvolveu a partir da plataforma Voo Livre, criada em 2023 pelos artistas e produtores Marcio Abreu, Cássia Damasceno, Nadja Naira e José Maria. A relação da companhia brasileira com Sidarta Ribeiro e com temas relacionados ao sonho vem se desenvolvendo em diversos momentos, desde as pesquisas para a criação da peça Sem Palavras, que estreou na França em setembro de 2021. O neurocientista participou de três momentos importantes da plataforma: primeiro, em cena, no acontecimento Voo Livre – Futuros, em outubro de 2023, no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Em junho de 2024, volta à cena na reedição de Futuros no Teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo. Nesta ocasião, Sidarta também colaborou na residência artística Voo livre – Sonho Manifesto, direcionada a 30 jovens artistas de linguagens diversas, no Galpão do Sesc Pompeia, orientada por Marcio Abreu e a companhia brasileira de teatro, junto a artistas convidados, como Key Sawao, Cristina Moura, Kenia Dias e Helena Vieira. E, numa terceira edição, já chamada de Voo livre – Sonho Elétrico, no CPT – Sesc Consolação, como convidado e palestrante, com a equipe criativa do espetáculo e mais 15 artistas assistentes. Para quem curte teatro Sonho Elétrico / Teatro I do CCBB Brasília – SCES Trecho 02 Lote 22 / em cartaz até 3 de maio de 2026 – quinta, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 18h / 90 minutos / Ingressos: R$ 15 (meia entrada) – no site oficial ou na bilheteria física sempre às quartas-feiras da semana anterior às apresentações, a partir das 12h / Estudantes, maiores de 65 anos e clientes Ourocard pagam meia entrada / 14 anos /  sessões com LIBRAS – 19 e 26 de abril / Siga @ciabrasileira e @ccbbbrasilia Com informações da Assessoria de Imprensa – Fotos: Divulgação  

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Não perca o Festival de Cultura Popular!

Tradição e sustentabilidade são o foco da 12ª edição do evento que propõe a cultura popular como tecnologia ancestral e estratégia de desenvolvimento sustentável no Cerrado. De 14 a 17 de abril, o Festival Brasília de Cultura Popular realiza sua 12ª edição ocupando o Memorial Darcy Ribeiro, na Universidade de Brasília (UnB), nos dias 14 e 15, e a região do Lago Oeste, área rural do Distrito Federal, nos dias 16 e 17. Com uma programação que reúne conferência, rodas de conversa, vivências no Cerrado, apresentações culturais, aulas-espetáculo, feira de economia criativa e gastronomia tradicional, o encontro consolida-se como uma plataforma de articulação entre cultura popular, sustentabilidade e desenvolvimento. Mais do que um evento, o Festival propõe uma chave de leitura que reposiciona a cultura popular: não como herança estática do passado, mas como tecnologia ancestral viva e estratégica para o futuro do Cerrado. A partir dessa perspectiva, a 12ª edição adota como eixo central a relação entre Cultura Popular, Cerrado e Desenvolvimento Sustentável, defendendo que não existe desenvolvimento sustentável no bioma sem o reconhecimento e fortalecimento dos saberes tradicionais. Em 2026, o Festival presta homenagem ao historiador Paulo Bertran, intelectual fundamental para a compreensão do Cerrado como território histórico e cultural. Sua obra contribuiu para revelar o bioma como uma paisagem cultural viva, onde natureza, modos de vida e práticas sociais se entrelaçam na construção de identidades e formas de existência. “Não existe desenvolvimento sustentável no Cerrado sem reconhecer e fortalecer os saberes tradicionais. O que o Festival faz é colocar esses conhecimentos no centro do debate público”, destaca a coordenadora do festival, Danielle Freitas. As pessoas interessadas nas atividades ofertadas na edição, podem fazer a inscrição gratuitamente no link disponível na bio do perfil do evento. Atividades Ao longo de quatro dias, o Festival se organiza em dois tempos complementares. Nos dias 14 e 15, no espaço universitário, promove reflexões por meio da conferência livre sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), debates e encontros que conectam mestres da cultura popular, artistas, pesquisadores, estudantes e gestores públicos. O objetivo é inserir os saberes tradicionais no centro das discussões contemporâneas sobre desenvolvimento, em diálogo com a Agenda 2030 da ONU. Já nos dias 16 e 17, no Lago Oeste, a proposta se desloca para o território, convidando o público a vivenciar, na prática, modos de vida sustentáveis que há gerações estruturam comunidades do Cerrado. As atividades incluem experiências com agroecologia, plantas medicinais, cultura alimentar e manejo do bioma, em parceria com iniciativas locais. Conferência  A Conferência livre sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) acontece como parte da programação do Festival, em 15 de abril, a partir das 9h, e se integra ao processo de formulação em âmbito nacional da Conferência Nacional dos ODS, que acontece entre 29 de junho e 02 de julho de 2026. A iniciativa propõe um debate estruturado sobre a integração da cultura popular às políticas de desenvolvimento sustentável. Reconhece os territórios culturais como protagonistas na implementação da Agenda 2030 e como espaços vivos de experimentação de soluções sociais e ambientais. O encontro reúne mestres da tradição, lideranças, pesquisadores, gestores públicos, juventudes e representantes da sociedade civil para discutir caminhos práticos de integração entre cultura, meio ambiente e políticas públicas. Desta etapa, será eleito um delegado para a Conferência Nacional ODS, a acontecer em junho de 2026, representando as pautas das culturas populares e dos povos e comunidades tradicionais de Brasília. Cultura Popular  Durante o Festival, o público poderá vivenciar a energia da capoeira com o Grupo Beribazu, conduzido pelo professor Mikhael Ael, mergulhar na mitologia cênica e simbólica do grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, e se conectar com os ritmos do Cerrado nas apresentações de Volmir Batista – Batuques e Calangos, que evocam o Brasil profundo em suas sonoridades. E, em se tratando de cultura popular, como não poderia ser diferente, a tradicional Orquestra Alada Trovão da Mata ocupa a Universidade de Brasília com as figuras míticas do Cerrado e seu ritmo próprio, o Samba Pisado. “Ao integrar reflexão, experiência e tradição, o Festival reafirma o papel da cultura popular como tecnologia social capaz de organizar modos de produção, fortalecer relações comunitárias e sustentar práticas ambientais responsáveis,  apontando caminhos concretos para o futuro do Cerrado”, finaliza Freitas. O Festival Brasília de Cultura Popular é realizado pela IBRANOVA e pela Pichaim Produções, com apoio da Fundação Darcy Ribeiro, da Fiocruz Brasília, por meio da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA), da Universidade de Brasília — via Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC/UnB) e Diretoria de Difusão Cultural e Decanato de Extensão (DDC/DEX) — além do Sítio Floresta. O projeto conta ainda com fomento do Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil. Confira a programação completa: (sujeita a ajustes e alterações) 14 de abril – Abertura do 12º Festival Brasília de Cultura Popular Local: Memorial Darcy Ribeiro – UnB 11h — Abertura da Feira de Economia Criativa 12h — Vivência: Capoeira – Corpo, Território e Resistência 13h — Mesa: A Obra de Paulo Bertran e o Cerrado Vivo 14h — Roda: Agroecologia e Saúde Mental no Cerrado 15h — Vivência: Teatro de Terreiro 16h — Roda: Agroecologia e Cannabis no Cerrado 17h30 — Homenagem: O Cerrado como Civilização 18h — Apresentação: Cultura Popular Tradicional 19h — Apresentação: Orquestra Alada 15 de abril  — Conferência Livre de Culturas Populares e Tradicionais de Brasília sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável integra a programação Local:  Auditório do Memorial Darcy Ribeiro – UnB 09h — Credenciamento – Conferência ODS 09h30 — Mesa de Abertura 10h — Plenária de Abertura: Cultura Popular e Agenda 2030 11h — Abertura da Feira 12h — Encerramento da plenária e rodas de diálogo 12h — Vivência: Sambadeiras – Corpo e Ancestralidade 14h — Apresentação das propostas dos grupos 14h — Mesa: A Obra de Paulo Bertran e o Cerrado Vivo 15h — Debate e aprovação das propostas 15h — Vivência: Seu Estrelo – Mito e Território 16h — Eleição da delegação 17h — Mesa de Encerramento da Conferência 17h30 — Cortejo Cultural:

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150 anos de Joaquín Torres Garcia

Em cartaz no CCBB até 21 de junho, exposição gratuita é a mais abrangente já dedicada ao artista uruguaio e reúne mais de 70 artistas.   A mostra Joaquín Torres García – 150 anos já está aberta para visitação do público no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com entrada gratuita, e a temporada segue até 21 de junho. A exposição reúne um amplo conjunto de obras do artista uruguaio em diálogo com trabalhos de mais de 70 nomes da arte moderna e contemporânea, propondo um novo olhar sobre sua trajetória e sua contribuição para a consolidação de uma linguagem artística latino-americana com projeção internacional ao longo do século XX. A classificação indicativa é livre, e os ingressos podem ser retirados na bilheteria ou pelo link destacado acima. O projeto conta ainda com a colaboração institucional de Alejandro Díaz, diretor do Museo Torres García, cuja parceria foi determinante para viabilizar a vinda dos manuscritos e desenhos inéditos. Com curadoria de Saulo di Tarso, a mostra estabelece conexões entre a produção de Torres García e diferentes vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando sua obra de referências brasileiras, das vanguardas europeias, da arte africana e das culturas indo-americanas. O percurso propõe uma releitura do chamado Universalismo Construtivo, conceito formulado pelo artista para articular formas universais a uma identidade própria da América Latina, ampliando suas interpretações para além das leituras mais difundidas. Reconhecido por integrar importantes coleções internacionais, Torres García tem sua obra apresentada sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. A exposição revisita sua trajetória, destacando o papel que desempenhou ao colocar em relação experiências da vanguarda europeia e sua atuação na América Latina, especialmente a partir de seu retorno ao Uruguai, em 1934. A presença de obras como “América invertida”, raramente exibida fora do Museu Torres García, em Montevidéu, reforça esse eixo curatorial, convidando o público a revisitar seu significado para além de leituras consolidadas. Para Saulo Di Tarso, celebrar 150 anos de um artista da dimensão de Torres García exige ampliar o olhar histórico. “Estamos apresentando a exposição mais abrangente já dedicada a ele e dessa forma queremos nos aproximar do nosso legado espanhol”. Nesse sentido, a mostra conta com peças fundamentais provenientes de coleções e museus ao redor do mundo: MACBA, IVAM, Colección Telefónica, MSSA, Galerie Gmurzynska e também obras do MASP, Pinacoteca de São Paulo e de importantes coleções privadas brasileiras. A dimensão pedagógica também atravessa a mostra. Para Torres García, a infância ocupava um lugar fundamental em sua reflexão estética. “Ele defendia uma educação artística baseada na experiência e na invenção, em que o principal estímulo estava na criação de símbolos e na organização das percepções. Nesse contexto, chegou a desenvolver brinquedos de madeira com caráter formativo e incorporou à sua pintura uma linguagem sintética, próxima ao traço infantil, valorizando a habilidade das crianças de compreender e estruturar o mundo por meio de signos simples e universais”, completa o curador. Diálogo com a arte brasileira A presença de 40 artistas brasileiros se organiza a partir de dois eixos principais. De um lado, a memória do incêndio ocorrido em 1978 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), episódio que marcou profundamente a história das instituições culturais no país e teve repercussão internacional. De outro, a proposta de tensionar, no campo simbólico, as divisões históricas herdadas do Tratado de Tordesilhas e suas reverberações nas relações culturais sul-americanas. A presença de obras e artistas brasileiros e estrangeiros refletem tanto a intenção de diálogo e celebração, encerrando a efeméride dos 150 anos do artista no país quanto a intenção de fortalecer vínculos culturais na América do Sul. “Desde o Modernismo, assim como a antropologia dos trópicos, a arte brasileira influenciou profundamente a cultura europeia e norte-americana, embora ainda insistimos em ler essa história apenas no sentido inverso. Por isso, foi lógico adensar a presença da arte brasileira ao redor de um artista que afirmou que ‘o nosso norte é o Sul”, afirma o curador. Entre os nomes presentes estão Cecília Meireles, Antonio Cabral, Paulo Nenflídio, Alfredo Jaar, Ernesto Neto, Willys de Castro, Bispo do Rosário, Estela Sokol, Rubens Gerchman, Marcone Moreira, Carlos Zilio, Ronaldo Azeredo, Luiz Sacilotto, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Emanoel Araújo, Arnaldo Ferrari, Montez Magno, Leonilson, Flávio de Carvalho, Tuneu, Jac Leirner, Anna Bella Geiger, Sérgio Camargo, Rivane Neuenschwander, Sofia Borges e Rosana Paulino. Apesar de não terem nascido no Brasil, Volpi, Mira Schendel e Lina Bo Bardi são incluídos por sua importância na história da arte brasileira. A exposição também evidencia conexões diretas entre Torres García e artistas como Ronaldo Azeredo, Arden Quin, Sacilotto e Volpi, além de relações conceituais com nomes como Tuneu, Ernesto Neto, Bispo do Rosário, Emanoel Araújo e Willys de Castro. Um diálogo expressivo também se estabelece com Rosana Paulino em uma das salas da mostra. Todas estas conexões revelam a atualidade da obra de Torres García e sua potência como uma obra viva que convoca à autonomia da América Latina, uma obra pioneira das premissas decoloniais, tão caras à contemporaneidade, e que têm sido invocada como ícone de pertencimento na música, no cinema e no mundo da cultura de modo geral. A América invertida (1943) está agora em exposição no CCBB Brasília. Programação de abertura A abertura da mostra, que ocorreu nessa terça-feira – 31 de março, incluiu uma visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso. A atividade antecipou as principais chaves de leitura da exposição e apresenta o recorte curatorial proposto, afinal,  cada cidade que recebe a mostra ganha um recorte próprio: em Brasília, as relações entre arte, cidade e espaço público são colocadas à luz, e de forma inédita, a curadoria propõe também traçar diálogos com obras e artistas da Coleção Banco do Brasil, entre eles Rubens Valentim, Maria Bonomi e Athos Bulcão, em torno desta grande celebração. A exposição reafirma a ideia de que o sul não é uma posição geográfica, mas uma postura ética e poética diante do mundo. Em São Paulo, o diálogo entre geometria

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Fricções e memórias em mostras simultâneas

Com obras de Lais Myrrha e Helô Sanvoy, as exposições “Arquiteturas do Poder” e “Eiro” propõem um olhar crítico sobre as bases estruturais e históricas do país. A partir do dia 1º de abril, a galeria Cerrado Cultural, em Brasília, transforma seus dois pavimentos em um espaço de potente reflexão visual e histórica. Localizado na QI 05, Chácara 10 do Lago Sul, a @cerrado.galeria inaugura, simultaneamente, as exposições Arquiteturas do Poder, de Lais Myrrha, e Eiro, de Helô Sanvoy. Embora independentes, as mostras tecem um diálogo profundo sobre os apagamentos, as memórias e as relações de trabalho e de poder que alicerçam o Brasil. Desse modo, é estabelecido uma conversa entre os artistas. É o zeitgeist, o espírito do tempo, que se manifesta, valendo-se de materiais e linguagens tão distintas. Suas obras convergem, quase por acaso, para as mesmas temáticas. Essa troca ganha ainda mais força com a presença de dois curadores de excelência, que conduzem o público por essas narrativas com clareza e sensibilidade: a historiadora e crítica de arte Ana Avelar e o pesquisador, artista e diretor artístico da Cerrado Divino Sobral. A temporada segue de portas abertas, com visitação gratuita, até o dia 9 de maio. O peso oculto da forma geométrica No térreo, sob a curadoria de Ana Avelar, Lais Myrrha apresenta Arquiteturas do Poder. A artista faz de Brasília o centro de sua investigação, colocando-a como alegoria de um Estado que se projeta racional, branco e perpétuo, mas que não considera a desigualdade social sobre a qual foi constituído. Sem buscar a invalidação do modernismo, mas recusando a reverência cega, Myrrha expõe o que as superfícies lisas e os ângulos retos de nossas construções icônicas tentam esconder o trabalho dos que construíram a cidade e a herança colonial que a capital tentou apagar. A curadora Ana Avelar destaca essa ambivalência constitutiva do modernismo nas obras da artista, onde a beleza arquitetônica seduz, mas também silencia. Séries como Estudo de Caso: Kama Sutra, Dupla Exposição, em que edifícios modernistas se sobrepõem a pinturas históricas de Debret e Portinari, e Vertebral Case, com imponentes fragmentos de colunas de concreto caídas como ruínas ósseas, convidam o visitante a medir, com o próprio corpo, o tamanho dessa utopia fraturada. A matéria, o corpo e o trabalhador brasileiro Já no piso superior, o público é recebido por Helô Sanvoy em Eiro, sua primeira mostra individual na galeria Cerrado, com curadoria de Divino Sobral. Aqui, a investigação afasta-se do concreto armado e debruça-se sobre a carga histórica e econômica dos materiais cotidianos. O artista cria atritos poéticos utilizando carvão, pó de pau-brasil, vidro estilhaçado, couro e copos americanos para falar sobre a precarização do trabalho e o corpo marginalizado pelo capital. Divino Sobral conduz o olhar do espectador para a sutileza com que Sanvoy transforma materiais em signos. O próprio título da mostra faz referência ao sufixo latino “-eiro”, que constitui o nosso gentílico, originado da extração exploratória do pau-brasil, e nomeia tantas profissões populares, como pedreiro, boiadeiro, coveiro, lixeiro. Destacam-se obras que vão desde a utilização do vidro temperado estilhaçado em Lucidez difusa, até a instável e transparente instalação Continente, erguida com centenas de copos americanos empilhados, equilibrando a fragilidade do material e a força da memória coletiva. Dois olhares curatoriais Vale destacar que as mostras marcam também um encontro de visões curatoriais refinadas. Ana Avelar, com sua vasta experiência acadêmica e atuação focada na arte moderna e contemporânea brasileira, traz uma leitura afiada e histórica para as provocações de Lais Myrrha. Já Divino Sobral, que também é artista visual, empresta sua sensibilidade estética e poética para desdobrar as materialidades de Helô Sanvoy, construindo, juntos, uma experiência imperdível na capital federal. Quem é quem? Lais Myrrha: Sua prática artística evidencia a relação entre o lugar físico e o lugar simbólico, abordando os discursos de poder denotados por convenções espaciais e arquitetônicas. Possui obras no acervo de instituições como Pinacoteca de São Paulo, Blanton Museum of Art (EUA) e Fundação de Serralves (Portugal). Já expôs em bienais de destaque, como a 32ª Bienal de São Paulo e a 13ª Bienal de La Habana. Helô Sanvoy: Artista goiano, mestre em Artes Visuais e membro do Grupo EmpreZa. Sua pesquisa transita por desenho, vídeo, performance, objeto e instalação, explorando as qualidades plásticas e políticas de diferentes materiais. Vencedor do Prêmio Pipa (2023), possui obras em coleções de peso, como as do MAC-USP, Museu de Arte do Rio (MAR) e MARGS. Ana Avelar (Curadora): Historiadora da arte, curadora e professora universitária com foco em arte moderna, contemporânea e crítica curatorial. Realiza exposições em museus e galerias pelo Brasil e é conselheira do Prêmio Pipa. Divino Sobral (Curador): Pesquisador, artista visual, curador independente e diretor artístico da Cerrado Galeria. Com vasta produção crítica no Brasil e exterior, sua prática cruza memória, história e materialidade de maneira sensível e poética, tanto em seus textos quanto em suas próprias obras. Sobre a Cerrado Com sedes em Brasília e Goiânia, a Cerrado consolidou-se como um dos principais espaços de difusão da arte contemporânea no Centro-Oeste. A galeria promove a circulação de artistas jovens e consagrados, investe na formação de público e fomenta novas coleções. Sua programação reúne exposições, debates e ações educativas. Pra quem curte artes-visuais!  Arquiteturas do Poder (Lais Myrrha) e Eiro (Helô Sanvoy) / Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília-DF / 1º de abril a 9 de maio de 2026 – Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h / Gratuita – Indicação livre / Siga: @cerrado.galeria Fotos: Divulgação

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