O bom e velho rock na pauta do dia

A capital recebe o 1º Seminário Mercosul do Rock, encontro inédito que reúne artistas, pesquisadores e gestores para discutir patrimônio, resistência e o futuro do gênero na América Latina.

 

Muito além de guitarras, riffs e grandes clássicos, o rock também é memória, identidade, resistência e uma das mais importantes manifestações culturais da América Latina. É com esse olhar que Brasília recebe, entre os dias 10 e 12 de julho, o 1º Seminário Mercosul do Rock: Patrimônio, Resistência e Arte na América Latina. O encontro acontece no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) e propõe três dias de debates, oficinas, painéis e shows para pensar o papel do gênero na sociedade e seus próximos passos.

A iniciativa é do coletivo e Ponto de Cultura Setorial Cultura Rock, movimento de atuação nacional voltado ao fortalecimento do gênero por meio de políticas públicas, valorização patrimonial e incentivo à cadeia produtiva. O grupo reúne projetos como a 1ª Conferência Livre Nacional do Rock, o Inventário Participativo do Rock, o Mapa do Rock Brasil e a websérie Setorial Rock Shots. A realização é da AACUC (Associação de Arte e Cultura de Ceilândia), com recursos públicos destinados ao fortalecimento da cultura.

Mais do que promover discussões, o seminário quer responder a uma questão central: como transformar o rock em um patrimônio cultural reconhecido, fomentado e integrado ao desenvolvimento da América Latina? Para isso, reunirá pesquisadores, artistas, gestores e produtores na construção de propostas concretas para o setor.

O evento acontece em um momento importante para o reconhecimento institucional do gênero. No Distrito Federal, o rock já é Patrimônio Cultural Imaterial desde 2016 e, em 2024, passou a ter também o Dia do Rock Brasiliense, celebrado em 27 de março. Paralelamente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 4.354/2024, de autoria da deputada federal Erika Kokay, elaborado a partir de iniciativa técnica do Setorial Cultura Rock, que busca reconhecer oficialmente o rock como manifestação da cultura nacional.

Já passou da hora de pensarmos o Rock para além da música. Ao longo de sua história nas Américas, o Rock consolidou-se como uma expressão de identidade, liberdade e resistência, conectando diferentes povos, culturas e gerações. Trata-se de uma cultura viva, transversal e transformadora, capaz de fortalecer identidades, inspirar comportamentos, impulsionar a economia criativa e contribuir para o desenvolvimento econômico, humano e social“, afirma João Mancha, diretor-presidente do Setorial Cultura Rock e coordenador-geral do seminário.

A programação está estruturada em três grandes eixos: o rock como manifestação de resistência durante as ditaduras militares latino-americanas; a contemporaneidade do gênero, com foco em diversidade, inclusão e economia criativa; e a integração cultural entre Brasil e os demais países do Mercosul.

Além dos debates, o público poderá participar de oficinas presenciais sobre gestão de redes sociais, comunicação e imprensa para bandas e festivais, boas práticas de palco e economia criativa. As atividades serão realizadas em formato híbrido, com transmissão online, ampliando o alcance para participantes de toda a América Latina.

As tardes terão apresentações de DJs e performances artísticas na Sala Multiuso. Já as noites serão dedicadas aos shows no Galpão Hugo Rodas, com apresentações das bandas Mitsein, Amazing, Podrera, Evil Corpse, Faces dos Caos e Detrito Federal.

A programação completa e as inscrições gratuitas para palestras e oficinas estão disponíveis on line, clica aí!

Fotos: Divulgação e Giancarlo Duarte / Unsplash (capa)

 

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