Arte Bruta: A.R.L. Vida e Obra no CCBB

Antônio Roseno de Lima é o tipo de artista “desconhecido” que você precisa conhecer (e assim será) com exposição inédita e gratuita que chega a capital federal Atenção amantes da fotografia e das artes-plásticas, a exposição “A.R.L. Vida e Obra” – que está em cartaz no CCBB Brasília, a partir dessa terça-feira (02) – vai alugar um tríplex nas suas cabeças e corações. Podem confiar nessa dica da coluna #PERAMBULANDO, pois o espírito criativo de Antônio Roseno de Lima nos presenteia com obras coloridas e inquietantes nascidas a partir da sua condição de semianalfabeto e favelado, um reflexo da mais pura e encantadora arte bruta de um homem que sofria de doenças mentais, onde autorretratos, onças, vacas, galos, Santos Dumont, bêbados, mulheres e presidentes foram seus temas principais. Com visitação gratuita, até 22 de maio (mediante emissão de ingresso no site e na bilheteria física), esta é uma oportunidade para o público conhecer a produção desse artista outsider descoberto no final da década de 1980 pelo artista-plástico e professor doutor do Instituto de Artes da UNICAMP, Geraldo Porto, que também assina a curadoria da mostra. Residente da favela Três Marias, em Campinas (onde viveu de 1962 até sua morte em junho de 1998), Roseno expressava seus sonhos e observações do cotidiano através de suas pinturas, muitas vezes utilizando materiais improvisados encontrados no lixo: pedaços de latas, papelão, madeira e restos de esmalte sintético. Seu barraco era sua tela, onde cores vibrantes e figuras contornadas em preto ganhavam vida, revelando uma poesia visual única. Nas obras, as diversas aspirações do artista são representadas, mas uma delas se repete em toda a sua arte: “Queria ser um passarinho para conhecer o mundo inteiro!“ Com cores fortes, escrevia nos quadros: “Este desenho foi fundado em 1961“, referindo-se ao início de sua obra de desenho, pintura e fotografia. Mesmo sendo semianalfabeto, as palavras sempre fizeram parte de sua expressão poética, tarefa que cumpria com a ajuda de amigos e crianças do bairro pobre que escreviam e ele apenas copiava. Foi somente em 1991, que Roseno teve sua primeira exposição individual, também com curadoria de Geraldo Porto, na galeria de arte contemporânea Casa Triângulo, em São Paulo. Este foi o primeiro passo para seu nome chegar em galerias e edições especializadas no mercado europeu e norte-americano, além de provocar um certo burburinho nacional. Porém, pobre e doente, morreu em 1998, quando grande parte de seus trabalhos já estava em coleções de arte no Brasil e no exterior. Infelizmente, outra grande parte foi jogada no lixão pelo caminhão da prefeitura, chamado pela família para limpar a casa. Assim como Arthur Bispo do Rosário, A.R.L. faz parte desses “artistas virgens” ou “outsiders“, autores dessa “arte incomum” que, em alguns casos, são frutos de surtos psicóticos. Jean Dubuffet, por exemplo, refere-se a eles como “indivíduos sem condicionamento cultural, sem assistência profissional e sem conhecimento das tradições e da história da arte, que realizam uma operação artística quimicamente pura“. Para Geraldo Porto, Antônio Roseno “é sim um artista outsider, pela originalidade do seu processo criativo. Sua criatividade desconhecia limites entre fotografar, pintar ou escrever. Analfabeto, ele escrevia; fotógrafo, ele pintava; pintor, ele tecia. Pintava ‘para não ficar doente’. Um último spoiler antes de irem até o CCBB Brasília, é que a mostra está dividida em seis seções: Recortes da Cidade; Presidentes; O Fotógrafo; Frutos; Flores e Animais; Mulheres e Santas; e O Bêbado (a preferida deste colunista), onde está uma série de rostos de olhos embaralhados e alucinados pela bebida, trabalho que o projetou como artista no mercado internacional, se tornando sua marca registrada. Enfim, graças à exposição “A.R.L. Vida e Obra“, o público brasiliense vai poder conhecer melhor Antônio (um entre cinco irmãos), nascido em 1926, na cidade de Alexandria (RN). Aos 22 anos, ele decide sair da roça para morar na cidade, fazendo doce com sua madrinha. Aos 30 anos, largou o casamento com Cosma, com quem teve cinco filhos, para buscar melhores condições em São Paulo. Ali se dedicou à fotografia, antes de se estabelecer na favela Três Marias, em 1962, onde produziu a maior parte de sua arte ao lado de Soledade, companheira de quase quatro décadas, mesmo Roseno insistindo em repetir: “Nunca tive amor na vida“. #PERAMBULANDO pela arte bruta e primitiva A.R.L Vida e Obra / CCBB Brasília / Até 22 de maio, de terça a domingo – 9h às 22h / Retire antecipadamente o ingresso aqui ou na bilheteria física / Livre Fotos: Divulgação / Adriano Rosa

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Coming soon: Do chão para o chão by Helena Lopes

Em exposição inédita, a artista visual Helena Lopes apresenta sua mais recente produção que reúne imagens digitais, impressões em fine art, vídeo projeção e textos, em um desdobramento de sua pesquisa sobre os processos de gravura e impressão. Anote na agenda: 21 de setembro, a partir das 19h, o Museu Nacional da República inaugura a mostra “Do chão para o chão”, de Helena Lopes com curadoria de Renata Azambuja e expografia de Gero Tavares. Na abertura, artista e curadora participam de uma roda de conversa e conduzem o público a uma visita à exposição e contará com tradução em Libras. Em exibição até o dia 19 de novembro, na Galeria 2 do Museu, a visitação é de terça a domingo, das 9h às 18h30.  A mostra é realizada com o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultural do Distrito Federal (FAC-DF). A exposição deriva de questões relacionadas à viagem que Helena fez em uma reflexão sobre as suas raízes, a sua ancestralidade, sobre colocar-se no lugar do outro. Em visita a Auschwitz, em 2019, ela imaginou como deveria ter sido a vida naquelas condições. Chão craquelado, com fendas, com diversas colorações. Identificou personagens e imaginou histórias, estabeleceu paralelos com a história de sua família, que migrou para o Brasil ainda na primeira metade do século 20. Ao retornar para o Brasil e para o seu ateliê, Helena começou a ver as imagens que produziu durante a viagem. Passou a transformá-las, manipulando-as com o Photoshop. Foi alterando a experiência original e reinventando as imagens, que se conectaram com os escritos relacionados às suas visões sobre o que viu e sentiu. “Só fui entender o circuito que fiz quando cheguei em casa. Surgiram os personagens mentais que se tornaram meus guias, aos quais depois dei nomes. Trabalhei os personagens mentalmente como se eu fosse uma arqueóloga que descobriu o objeto e cautelosamente vai retirando a Terra que está ao redor”, explica. “Em ‘Do chão para o chão’, Helena Lopes reúne realidade e ficção”, afirma a curadora Renata Azambuja. “Com dois tipos de narrativas, a visual de fotografias e vídeo e a dos textos manuscritos tirados de anotações de viagem, a artista imagina e inventa as histórias sobre a família dela e inventa as imagens a partir das fotografias do chão que fotografou”, continua. Desde os anos 1970, Helena Lopes trabalha com a gravura em metal como seu meio e o papel como suporte. Nos últimos anos, ela tem explorado novas modalidades de trabalhar a imagem pela impressão. “Helena é uma artista visual que se apropria da mídia digital, do uso do computador como suporte para transformar o seu frame na imagem final”, afirma Azambuja. Programação Durante o período da mostra, serão realizadas rodas de conversa com artistas e curadores que se relacionam com a produção de Helena Lopes. No dia 21 de setembro, na abertura da mostra, Helena Lopes e Renata Azambuja realizam uma conversa seguida de uma visita à mostra. No dia 7 de outubro, a conversa acontece com Ralph Gehre, seguido de Sérgio Fingermann, 20 de outubro, e Christus Nóbrega, em 11 de novembro de 2023. Com entrada gratuita, todas a rodas de conversa terão tradução em Libras. A programação da mostra estará disponível no instagram @helenalopes, @atelierhelenalopes e @museunacionaldarepublica.     Foto: Divulgação

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Walter Firmo palestra na galeria Olho de Águia

3ª edição do projeto Imagem Sem Fronteiras tem programação com grandes fotógrafos do Brasil e exterior   Atenção amantes da fotografia, nesta quinta-feira (27) acontece a primeira palestra do “Imagens Sem Fronteiras”, que contará com a presença de um dos maiores fotojornalistas brasileiros, Walter Firmo que estará dividindo histórias e um pouco da sua experiência, que já soma mais de seis décadas de carreira, recheada por retratos poderosos e suas imagens emblemáticas sobre a cultura afro-brasileira. Idealizado por Ivaldo Cavalcante, fundador do espaço Galeria Olho de Águia em Taguatinga, o projeto tem como principal objetivo contribuir para a disseminação da cultura fotográfica e incentivar a formação de profissionais e estudantes de Fotografia, Cinema e Jornalismo. As palestras serão realizadas, mensalmente, entre agosto e novembro, com entrada franca. Uma exposição, com 10 fotos de cada convidado, será montada na galeria e ficará aberta à visitação durante 30 dias. “Queremos dar uma oportunidade única para quem deseja conhecer o trabalho desses craques da fotografia em um bate-papo presencial e aberto ao público. E melhor ainda é poder levar esse projeto para além do Plano Piloto”, explica Ivaldo. E fiquem ligados na programação do local, além de Firmo, já estão confirmadas as presenças do brasileiro André Liohn, dos norte-americanos James Naschthey e Lynsey Adario e do sérvio Goran Tomasevic. Em comum esses quatro fotógrafos têm seus trabalhos reconhecidos por atuarem em zonas de guerra. Serviço: Palestra Walter Firmo no projeto “Imagem Sem Fronteiras” Onde: Espaço Cultural Galeria Olho de Águia, CNF 01, Edifício Praiamar, loja 12, Praça da CNF, Taguatinga Norte Quando: Dia 27 de julho, às 19 horas Quanto: Entrada franca Mais informações: @imagemsemfronteiras Crédito fotográfico: Walter Firmo/Divulgação

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