Vernissage reúne modernosos em torno das artes

Com festa e reencontros, a Cerrado Galeria celebra os “Modernismos” de Brasília em fim de tarde prestigiado pelo métier d’art brasiliense.

Nessa quarta-feira, 25 de fevereiro, a Cerrado Galeria abriu suas portas para brindar o início de sua programação expositiva de 2026 com a vernissage de Modernismos: uma e muitas Brasílias. Entre taças erguidas e conversas atravessadas por memórias afetivas da cidade, cerca de 250 convidados — entre artistas, curadores, colecionadores, diretores de centros culturais e apreciadores — ocuparam o espaço para celebrar uma mostra que lança luz sobre os modernismos que ajudaram a moldar o pensamento artístico no Distrito Federal.

Com curadoria de Carlos Lin, a exposição reúne 53 obras em diferentes suportes, como desenhos, pinturas, esculturas e tecelagens, compondo um recorte potente da produção realizada em Brasília, especialmente entre as décadas de 1960 e 1980. Mais do que um panorama histórico, a mostra evidencia o espírito experimental que marcou a formação artística da capital, revelando a coexistência de múltiplas linguagens e abordagens que se desenvolveram em diálogo com a própria construção simbólica da cidade — herdeira direta dos ideais de ruptura e invenção que definem o modernismo brasileiro.

A noite de abertura foi também um momento de reencontro entre protagonistas dessa história. Estiveram presentes artistas como Lêda Watson e Betty Bettiol, integrantes da coletiva, além de Fernando Ribeiro, filho de Milton Ribeiro, outro nome fundamental do conjunto apresentado. Ao todo, dezoito artistas compõem a mostra, entre eles nomes centrais como Alfredo Volpi, Athos Bulcão, Bruno Giorgi, Roberto Burle Marx e Rubem Valentim, ao lado de Ailema Bianchetti, Douglas Marques de Sá, Félix Barrenechea, Glênio Bianchetti, Maciej Babinski, Marília Rodrigues, Minnie Sardinha, Paulo Iolovitch, Solange Escosteguy e Stella Maris. Muitas das obras apresentadas raramente são vistas em público, vindas de coleções privadas ou de acervos institucionais pouco acessados, o que confere à exposição um caráter ao mesmo tempo íntimo e revelador.

Integrante do ciclo Raízes modernistas, que conecta iniciativas em Brasília e Goiânia, a mostra reafirma o papel da Cerrado Galeria na valorização da memória artística do Centro-Oeste e na preservação de narrativas fundamentais para a compreensão da arte brasileira fora dos grandes eixos tradicionais. A abertura marca ainda um novo momento institucional, com a chegada de Beto Osório como diretor institucional da galeria e a incorporação dos artistas José Roberto Bassul e Diego Bresani ao seu grupo de representados.

Instalada no Lago Sul, a Cerrado Galeria segue com visitação gratuita e aberta ao público, convidando os visitantes a percorrerem não apenas uma exposição, mas um território simbólico onde arte, cidade e história continuam em permanente construção. Não deixe de conferir quem passou por lá em registros feitos pelas lentes de César Rebouças:

Lúcio Albuquerque
Diego Bressani e Bruno Stuckert
Luiz Carlos e Beatris Bettiol
Isabela Bettiol, Pedro Bettiol e Júlia Coser
Luiza Garonce e Nicolle Brandão
Marília Panitz, André Vilaron e Cinara Barbosa
João Elias, Rosana e João Victor Mokdissi
Paris Bogéa
Arthur Gomes, Lisa Bruno e Ronaldo Ferreira
Beto Osório
Giovanna Buzzi e Ana Xavierv
Adriana e Cláudia Nasser com Ricardo Laquintinie
Rafael Marques, Sofia Rodrigues e Ricardo Stumm
Rogério Roseo e Renata Foresti
Sabrina Stemler e Rodrigo Carvalho
Betty Bettiol
Sanagê e Murilo Lob
Vandinha Riccioppo, Marcos Mandelli e Márcia Zarur
Pedro Rêgo, Jessica Grandi e Gabriel Breda
Fábio Chamon e Felipe Matheus

Serviço:

 Modernismos: uma e muitas Brasílias – Curadoria de Carlos Silva

Onde: Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília/DF

Quando: 25 de fevereiro a 18 de março – segunda a sexta: 10h às 19h; sábado: 10h às 13h

Entrada gratuita / Indicação livre / Siga: @cerrado.galeria

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