A Arte de Vestir Espaços

Cerrado Cultural reuniu profissionais e seus convidados em evento exclusivo para celebrar projetos que resultaram em 59 obras de arte expostas em quatro ambientes da mostra 2026.   Existe um consenso entre grandes nomes do design: a arquitetura constrói o corpo de um ambiente, mas é a arte que lhe confere alma. Essa sinergia, que transforma paredes brancas em narrativas visuais e espaços vazios em lugares de contemplação, foi o fio condutor de uma noite especial promovida pela Cerrado Cultural. Na última terça-feira (8), a galeria abriu suas portas para uma recepção petit comité que celebrou a parceria com quatro arquitetos que assinam ambientes na CASACOR Brasília 2026. Para um seleto grupo de cerca de 50 convidados, a noite foi de celebração e agradecimento. Entre os presentes, as diretoras da CASACOR Brasília, Moema Leão e Eliane Martins, prestigiaram o evento, que marcou a parceria com os profissionais e a presença de 59 obras de arte cedidas pela galeria para os projetos de Miguel Gustavo, Bruno Pessoa, Walléria Teixeira e Eduardo Abdo. O galerista Lúcio Albuquerque, anfitrião da noite, destacou o poder dessa união. “Para além do investimento, a obra dá uma certa exclusividade àquele ambiente. O mobiliário é feito com uma tiragem maior, já a obra de arte é única. O que dá destaque e sensação de exclusividade é exatamente a obra de arte”, reflete. Lúcio pontuou ainda o momento de celebração da parceria: “São áreas completamente afins. Esse ano tivemos a grata surpresa de que duas capas, entre as seis revistas oficiais do evento, foram com arquitetos que estamos apoiando. Essa celebração é justamente para agradecer aos profissionais”. A arte como extensão da personalidade Passear pelos quatro ambientes que contam com a curadoria da Cerrado Cultural na mostra é experimentar diferentes formas de integrar arte e arquitetura. No Living Carbon (50 m²), o arquiteto Eduardo Abdo fez da arte um dos eixos do projeto, construído a partir da memória afetiva de suas avós. O espaço exibe 24 obras, sendo quatro esculturas e 20 pinturas, reunindo trabalhos de Diego Bresani, Fábio Baroli, Helô Sanvoy, Elder Rocha, Siron Franco, Virgílio Neto, Valéria Pena-Costa, David Almeida, Alice Lara, Matias Mesquita, Humberto Espíndola e Adriana Vignoli, além de esculturas assinadas por Luiz Mauro, Iêda Jardim e pela própria Adriana Vignoli. O ambiente conta ainda com peças do acervo familiar e da homenageada, a artista plástica Terezinha Abdo Tavares. “Nós precisávamos de um parceiro que apreciasse e fizesse parte da história da arte tanto quanto a gente. Fomos muito felizes numa curadoria que durou três meses, garimpando artistas incríveis”, revela Abdo, ressaltando o impacto dessa escolha. “A obra de arte traz vida e é uma extensão da personalidade do cliente. Ela tem o poder de ir mudando com o tempo; com a sua própria evolução, você consegue ir tendo uma evolução também do espaço.” No Living Entre Tempos – Midea (80 m²), Walléria Teixeira apostou em elementos naturais, tons terrosos e no design de Jader Almeida para criar um refúgio de contemplação. O toque de sofisticação fica por conta das 11 obras selecionadas, sendo quatro esculturas e sete pinturas, com trabalhos de Nuno Ramos, Raylton Parga, Divino Sobral e Lais Myrrha, pontuados pela tridimensionalidade das esculturas de José Bento. “Eu acho que, se você prestar atenção, o espaço é muito simples. Mas o que aparece? O bom design no mobiliário e a boa obra de arte que está na parede. A obra de arte vestiu o espaço”, define a arquiteta. “A Cerrado só vem agregar no mercado.” O encontro do contemporâneo com o regional O contraste de materialidades dá o tom no Construtopia – Espaço Brasal (135 m²), assinado por Bruno Pessoa, à frente do Studio Ark. Combinando o conforto de um carpete amarelo com a frieza sofisticada do aço inox, o arquiteto utilizou 12 obras de arte para criar narrativas visuais. As paredes e bases ganham vida com telas de Adriana Vignoli, Siron Franco, José Bechara, Matias Mesquita, Virgílio Neto, Nuno Ramos, Helô Sanvoy, Vanderlei Lopes e Estêvão Parreiras, em diálogo com as esculturas de Farnese de Andrade e Nuno Ramos. “Eu costumo dizer que nos meus projetos as paredes têm que ser brancas, porque é através delas que você coloca as obras para contar histórias”, explica Bruno. “Eu admiro muito o trabalho da Cerrado de alavancar e valorizar a arte regional, de fazer esse mix de artistas consagrados e novos no mercado. A arte tem o poder socioeconômico de mostrar o que aconteceu na sociedade de uma forma visual e dramática.” A tecnologia e a conectividade, por sua vez, ditam o ritmo do Office Claro (165 m²), projetado por Miguel Gustavo. O ambiente corporativo fluido e sustentável ganha contornos de galeria particular com as 12 peças escolhidas, sendo cinco esculturas e sete pinturas. O talento de Siron Franco e Talles Lopes está presente nas telas, enquanto o ambiente ganha contornos esculturais através das obras de José Bento e Waltércio Caldas. “Quando eu me encontrei com a Cerrado nesse processo, foi uma surpresa maravilhosa. Ela sempre soma, deixando o meu espaço cada vez mais surpreendente”, comemora o arquiteto e designer de interiores. Para Miguel, a fusão entre funcionalidade e estética é um caminho sem volta. “O mundo atual precisa disso. As pessoas têm que estar conectadas até para poder entender a arte. Para quem está começando no mercado, é importantíssimo poder vir ‘comer’ a arte”, finaliza. Visite a Cerrado | SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília – DF | Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h | Entrada gratuita | Siga @cerrado.galeria Fotos: Nina Quintana

A Arte de Vestir Espaços Read More »

Bob Mackie, o homem que fez da roupa um espetáculo

Morre aos 87 anos o estilista que inventou o “naked dress”, vestiu as maiores divas da história e mostrou que figurino também podia ser alta moda, humor e personalidade.   Há estilistas que vestem celebridades. Há outros que ajudam a criar a celebridade que o mundo passa a enxergar. Bob Mackie, que morreu nesta segunda-feira, 14 de setembro, aos 87 anos, pertence à segunda categoria. Durante mais de seis décadas, o americano transformou lantejoulas, plumas, transparências, cristais, franjas e muito brilho em uma linguagem própria, responsável por alguns dos momentos mais memoráveis da cultura pop. Morreu em Palm Springs, na Califórnia, em decorrência de uma pneumonia. A causa foi confirmada pela equipe do estilista. Mas reduzir Bob Mackie ao “estilista de Cher” seria uma injustiça fashionista das grandes. Embora a parceria com a cantora tenha sido provavelmente a mais emblemática de sua carreira, Mackie foi muito mais: figurinista de televisão, cinema e teatro, desenhista, criador de figurinos para shows e um dos grandes responsáveis por levar o glamour da cultura de palco para o tapete vermelho. Ao longo da carreira, recebeu mais de 30 indicações ao Emmy e venceu nove vezes, além de ter sido indicado três vezes ao Oscar e conquistado um Tony. E aqui está uma das coisas que fazem sua história ser tão interessante para quem acompanha moda: Mackie não começou querendo ser um estilista de moda no sentido tradicional da palavra. Ele queria trabalhar com show business. Começou em Hollywood como desenhista e passou pelos estúdios Paramount, trabalhando com nomes como Jean Louis e Edith Head. Foi nesse período que desenhou o croqui do vestido que Marilyn Monroe usaria em 1962 para cantar “Happy Birthday, Mr. President” para John F. Kennedy. Ou seja, antes mesmo de assinar suas próprias criações, sua mão já estava envolvida em um dos vestidos mais famosos do século XX.   Mas talvez seu primeiro grande gesto de ruptura tenha vindo alguns anos depois. Em 1968, Mackie criou para Mitzi Gaynor o que ele próprio considerava seu primeiro “naked dress”, o vestido nu, construído com uma tela transparente em tom próximo ao da pele. A ideia vinha, em parte, de observar os figurinos translúcidos que Jean Louis fazia para Marlene Dietrich em Las Vegas. Mackie percebeu que era possível brincar com a ilusão de nudez e transformar o corpo em parte do desenho da roupa. Décadas depois, aquilo se tornaria uma das tendências mais recorrentes dos tapetes vermelhos. E então, Cher apareceu A parceria dos dois começou no fim dos anos 1960 e ganhou força no The Sonny & Cher Comedy Hour, programa de televisão que ajudou a transformar a cantora em um fenômeno também visual. Mackie percebeu rapidamente que Cher não precisava ser vestida como as outras estrelas. Seu corpo longilíneo, seus cabelos, sua atitude e sua falta de medo diante da roupa permitiam que ele criasse uma personagem fashion praticamente sem limites. O próprio Mackie dizia que ela poderia ser qualquer coisa. Foi aí que os dois fizeram história. Em 1974, Cher apareceu no Met Gala usando um dos vestidos mais provocativos já vistos naquele tapete: uma criação transparente, bordada e coberta de penas, praticamente uma ilusão de nudez. No ano seguinte, a imagem chegou à capa da Time e provocou tamanha repercussão que houve lugares nos Estados Unidos onde a revista foi retirada das bancas ou teve a capa coberta. Hoje, transparência em tapete vermelho pode parecer quase banal. Naquele momento, era uma pequena revolução. Cher não foi apenas sua musa. Foi também sua parceira de invenção. Mackie entendia que roupa de palco precisava fazer mais do que vestir: precisava aparecer de longe, sobreviver à luz, acompanhar o movimento, criar uma silhueta e, principalmente, contar quem era aquela mulher. Por isso suas criações para Cher misturavam sensualidade, teatralidade e uma dose generosa de fantasia. O resultado foi uma estética que hoje parece familiar, mas que ele ajudou a construir. O auge dessa liberdade talvez esteja no Oscar de 1986. Enquanto Hollywood esperava que as atrizes aparecessem em vestidos longos e comportados, Cher surgiu com calça preta, top de tela, aplicações de joias, botas e um enorme cocar de penas. Era praticamente uma declaração de guerra ao protocolo. A própria Cher brincou, na época, com a ideia de que não havia recebido o “manual” de como uma atriz séria deveria se vestir. Mackie, por sua vez, entendeu algo que a moda de tapete vermelho demoraria anos para assumir: a roupa também pode ser uma performance. Esse talvez seja o grande diferencial de Bob Mackie. Ele não separava moda e entretenimento. Para ele, o figurino não era um intervalo entre a pessoa e o personagem. O figurino era parte do personagem. E isso explica por que suas roupas funcionavam tão bem em televisão, no palco, em shows, no cinema e, posteriormente, no tapete vermelho. Mas havia também humor. E muito! Mackie foi o homem por trás de algumas das roupas mais engraçadas da televisão americana, especialmente no The Carol Burnett Show. Seu famoso vestido de cortina, criado para a paródia de Gone With the Wind, transformou uma gag de televisão em objeto de museu. Carol Burnett entrava em cena vestida como uma versão improvisada de Scarlett O’Hara, com a cortina, a haste e até a “cabeça” de tecido. É uma das provas mais perfeitas de que Mackie sabia fazer glamour, mas também sabia rir dele. A peça hoje faz parte do acervo do Smithsonian. Esse equilíbrio entre luxo, humor, sensualidade e espetáculo é justamente o que tornou Mackie tão singular. Ele podia fazer Cher parecer uma deusa, Carol Burnett parecer uma caricatura de uma estrela de cinema, Elton John parecer um personagem de desenho animado ou Tina Turner parecer a própria definição de força no palco. Seus figurinos eram exagerados porque precisavam ser. E, principalmente, eram feitos para pessoas que não queriam passar despercebidas. Por isso a influência de Mackie ultrapassou gerações. Tina Turner, Diana Ross, Elton John, Madonna, Whitney Houston, Dolly Parton, Bette Midler, Liza Minnelli e Britney Spears

Bob Mackie, o homem que fez da roupa um espetáculo Read More »

Duna – Parte 3… assista antes de todo mundo!

Atenção leitores da Coluna #PERAMBULANDO! Preparem-se para retornar a Arrakis: a Warner Bros. Pictures acaba de anunciar que haverá sessões antecipadas de Duna: Parte Três acontecendo exclusivamente nos dias 15 e 16 de dezembro, com a pré-venda iniciando nesta quinta-feira, 10 de setembro. Para marcar o anúncio, o diretor Denis Villeneuve e o protagonista Timothée Chalamet gravaram um vídeo especial convidando o público a garantir seus ingressos para as sessões antecipadas.   Com um elenco estrelado que reúne além de Timothée Chalamet, Zendaya, Robert Pattinson, Anya Taylor-Joy e grandes nomes do cinema internacional, o longa promete fechar a trajetória de Paul Atreides (Chalamet) com o mesmo rigor visual e densidade narrativa que consagraram os primeiros filmes.  Duna: Parte Três estreia nos cinemas brasileiros em 17 de dezembro de 2026, também disponível em versões com acessibilidade.  Sobre o filme – A Warner Bros. Pictures e a Legendary Pictures apresentam Duna: Parte Três, que leva a trilogia épica do cineasta indicado ao Oscar, Denis Villeneuve, a uma conclusão espetacular e emocionante.  Duna: Parte Três se passa quase duas décadas depois de Paul Atreides assumir o controle do Império. Agora um imperador implacável, Paul deve enfrentar as consequências de seu reinado à medida que antigos aliados retornam, novas ameaças aterrorizantes surgem e a traição está à espreita em cada sombra. Assombrado por visões do colapso imperial e do reaparecimento de seu amor há muito perdido, Paul é levado a se envolver em uma vasta conspiração, com Chani no centro do grande mistério que começa a se revelar. À medida que a rebelião se intensifica e os inimigos se aproximam, Paul deve enfrentar o verdadeiro custo do poder e o destino daqueles que mais ama.  O filme é estrelado por Timothée Chalamet, indicado ao Oscar; Zendaya; Jason Momoa; Florence Pugh, indicada ao Oscar; Rebecca Ferguson; Isaach de Bankolé; com Charlotte Rampling, indicada ao Oscar, Anya Taylor-Joy, Robert Pattinson, e o vencedor do Oscar, Javier Bardem.  Villeneuve dirige Duna: Parte Três a partir do roteiro que escreveu em parceria com Brian K. Vaughan, baseado nos romances escritos por Frank Herbert.  O filme é produzido por Mary Parent, Cale Boyter, Villeneuve e Tanya Lapointe, indicados ao Oscar, e Joe Caracciolo, com produção executiva de Joshua Grode, Thomas Tull, Herbert W. Gains, Brian Herbert, Byron Merritt, Kim Herbert, Kevin J. Anderson, Richard P. Rubinstein, John Harrison e Jessica Derhammer.  A equipe de produção criativa de Villeneuve atrás das câmeras inclui o diretor de fotografia vencedor do Oscar, Linus Sandgren; o designer de produção vencedor do Oscar, Patrice Vermette; o editor vencedor do Oscar, Joe Walker; a figurinista Jacqueline West, indicada ao Oscar; a diretora de elenco Francine Maisler, indicada ao Oscar; e compositor vencedor do Oscar, Hans Zimmer.  A Warner Bros. Pictures e a Legendary Pictures apresentam uma produção Legendary Pictures, um filme de Denis Villeneuve, Duna: Parte Três será distribuído internacionalmente pela Warner Bros. Pictures, e na China pela Legendary East, e chega aos cinemas brasileiros em 17 de dezembro de 2026. Enquanto isso, siga: @wbpictures_br!  Foto: Divulgação

Duna – Parte 3… assista antes de todo mundo! Read More »

E se a poesia for engraçada?

Gregório Duvivier leva “O Céu da Língua” a Brasília para misturar literatura, humor e as maluquices do português em duas sessões no Ulysses. Quem tem medo de poesia talvez precise apenas de uma boa dose de Gregório Duvivier. A dica da Coluna #PERAMBULANDO para quem gosta de teatro, literatura e, principalmente, de dar boas risadas com aquilo que a gente fala todos os dias é “O Céu da Língua”, monólogo que chega a Brasília nesta quinta e sexta-feira, 10 e 11 de setembro, no Ulysses Centro de Convenções. Depois de uma temporada de sucesso em Portugal, o espetáculo dirigido por Luciana Paes propõe uma brincadeira deliciosa: descobrir que a poesia está muito mais perto da gente do que imaginamos. Formado em Letras, autor de três livros de poesia e conhecido pelo humor afiado, Gregório transforma o português em matéria-prima para 85 minutos de espetáculo. Conversas entre apaixonados, códigos secretos entre pais e filhos, gírias que ressuscitam com novos significados, reformas ortográficas, palavras corporativas como “briefing” e “disruptivo” e até termos como “afta”, “íngua” e “seborreia” entram na brincadeira. Tudo para mostrar que existe poesia até onde, convenhamos, a gente jamais procuraria por ela. A montagem nasceu inicialmente como uma homenagem aos 500 anos de Luís de Camões e marcou o retorno de Gregório ao teatro com um texto inédito depois de cinco anos. Em Portugal, onde estreou, recebeu elogios da crítica e encontrou um público tão apaixonado pela língua portuguesa quanto o próprio artista. “Uma ode à língua portuguesa e ao poder da palavra”, escreveu Suzana Verde, do Observador. Para o cronista Miguel Esteves Cardoso, Gregório é “um artista completo”, daqueles que parecem ter nascido para transitar entre diferentes linguagens. E não espere um recital comportado. “O Céu da Língua” fica, como define o próprio Gregório, “na esquina do poema com a piada”. A direção de Luciana Paes, parceira do artista em “Portátil” e em trabalhos do Porta dos Fundos, aposta em uma encenação minimalista, praticamente sem cenário. No palco, o instrumentista Pedro Aune cria a trilha sonora ao vivo no contrabaixo, enquanto Theodora Duvivier, irmã de Gregório, assina as projeções que ajudam a construir a narrativa. No meio dessa conversa entre palavra e humor, surgem ainda metáforas que usamos sem pensar, como “batata da perna”, “céu da boca” e “pisando em ovos”, além de referências a grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso. A ideia é justamente tirar a poesia daquele pedestal sisudo que muitas vezes assusta quem acha que ela é complicada demais. “A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota. Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”, explica Gregório. Então fica a dica: talvez você entre no Ulysses achando que vai assistir a uma comédia e saia de lá olhando para o português com outros olhos. Ou, quem sabe, prestando mais atenção naquela palavra estranha que alguém acabou de falar. Afinal, como Gregório parece querer nos provar, até a língua nossa de cada dia pode esconder um poema. E uma boa piada, claro. SERVIÇO “O Céu da Língua” Data: 10 e 11 de setembro Local: Ulysses Centro de Convenções Horários: 19h e 21h30 Ingressos: Ingresso Digital Fotos: Annelize Tozetto e Lina Sumizono

E se a poesia for engraçada? Read More »

Prepare o lenço: Alice Caymmi canta Nana

“Para Minha Tia Nana” ganha Brasília em quatro apresentações na CAIXA Cultural, com clássicos como “Resposta ao Tempo”, “Só Louco” e “Oração ao Tempo”, além de oficina de música e passagem de som aberta aos participantes   Tem sobrenome que já chega carregado de história. Caymmi é um deles. Mas quando Alice Caymmi sobe ao palco para cantar Nana Caymmi, o que está em jogo vai muito além de uma árvore genealógica da música brasileira. É memória, afeto, influência e, sobretudo, música. De 10 a 13 de setembro, a CAIXA Cultural Brasília recebe “Para Minha Tia Nana”, espetáculo em que Alice revisita algumas das canções que ficaram eternizadas na voz da tia, em uma homenagem que ganhou ainda mais peso depois da morte de Nana, em 2025, aos 84 anos. Criado originalmente quando Nana ainda estava viva, o projeto nasceu como uma reverência entre duas gerações de uma das famílias mais importantes da Música Popular Brasileira. Agora, com Alice no palco, acompanhada apenas pelo piano de Eduardo Farias, o espetáculo transforma essa relação familiar em experiência musical. O repertório passa por clássicos como “Resposta ao Tempo”, “Só Louco”, “Suave Veneno” e “Oração ao Tempo”, além dos boleros “Sabe de Mim” e “Se Queres Saber”. É aquele tipo de programa para quem gosta de ouvir uma canção conhecida e, de repente, perceber nela alguma coisa que ainda não tinha escutado. E Alice tem intimidade de sobra para essa conversa. Neta de Dorival Caymmi e filha de Danilo Caymmi, ela cresceu cercada pela música, mas fez questão de construir seu próprio caminho. Cantora e compositora, transita pela MPB, pelo pop e pela música eletrônica, com uma voz intensa e uma personalidade artística muito própria. A relação com Nana, porém, começou cedo: Alice participou de trabalhos da tia desde os 12 anos e carrega essa influência como parte incontornável de sua formação. “A cada ensaio, revisitar esse repertório é sempre um desafio. A Nana sempre cantou a dor com intensidade, e essa herança me atravessa”, conta Alice. E talvez seja justamente aí que esteja a graça de “Para Minha Tia Nana”: não é uma tentativa de repetir Nana, mas de conversar com ela através das canções. Alice descreve o espetáculo como uma homenagem “à flor da pele”, em que tradição e contemporaneidade se encontram para aproximar diferentes gerações de uma mesma história musical. E tem um bônus para quem gosta de entender o que acontece por trás da música. No dia 12 de setembro, das 16h às 18h, Eduardo Farias conduz a oficina “Do acompanhamento ao improviso: linguagem, harmonia e criação na música popular brasileira”. Pianista, arranjador, orquestrador e produtor musical, ele parte justamente da experiência do espetáculo para mostrar, de maneira prática e acessível, como funciona a parceria entre piano e voz e qual é o papel do pianista na construção de uma interpretação. A oficina passa por acompanhamento, linguagem harmônica, improvisação e criação musical, e não é restrita a músicos profissionais. Estudantes, músicos, profissionais ou simplesmente quem tem curiosidade de entender como uma canção ganha corpo no palco podem participar. E tem mais: depois da atividade, os participantes poderão acompanhar a passagem de som do espetáculo. Uma pequena espiada no que acontece antes de a luz do palco acender. As apresentações de “Para Minha Tia Nana” acontecem de quinta-feira a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. A primeira sessão, em 10 de setembro, terá intérprete de Libras. Os ingressos custam R$ 30, a inteira, e R$ 15, a meia-entrada para clientes CAIXA e casos previstos em lei. A venda começa no sábado, 5 de setembro, às 9h na bilheteria do teatro e às 13h pelo site da Bilheteria Cultural. SERVIÇO Alice Caymmi – “Para Minha Tia Nana” CAIXA Cultural Brasília SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4 10 a 13 de setembro de 2026 Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h Sessão com intérprete de Libras: 10/9 Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada para clientes CAIXA e casos previstos em lei) Vendas a partir de 5/9, às 9h na bilheteria e às 13h no site da Bilheteria Cultural Classificação: 14 anos OFICINA DE MÚSICA COM EDUARDO FARIAS “Do acompanhamento ao improviso: linguagem, harmonia e criação na música popular brasileira” 12/9, das 16h às 18h Vagas limitadas, com inscrições pelo site da CAIXA Cultural Após a oficina, participantes poderão acompanhar a passagem de som do espetáculo. Fotos: Marcela Cure

Prepare o lenço: Alice Caymmi canta Nana Read More »

Sete toneladas no ar: Brasília ganha um novo monumento

A Queda de Atlas, de Anderson Schneider, foi inaugurada no SESI Lab em noite que reuniu cerca de 150 convidados entre empresários, arquitetos, designers, familiares e amigos. Brasília ganhou, na noite dessa terça-feira (25), uma nova presença monumental – e ela chegou flutuando. Cerca de 150 convidados passaram pelo SESI Lab, entre 19h e 22h, para a inauguração de A Queda de Atlas, instalação urbana do arquiteto e artista visual Anderson Schneider que desafia uma das certezas mais básicas da física: a de que sete toneladas de aço e concreto deveriam estar muito bem apoiadas no chão. Em vez disso, a gigantesca estrutura parece levitar, suspensa por finos cabos de aço. O resultado é daqueles que provocam um inevitável segundo olhar – e um certo tilt no cérebro, como define o próprio artista. Com 13 metros de comprimento, cinco de altura e cerca de sete toneladas, a obra foi concebida a partir dos princípios da tensegridade, sistema estrutural baseado no equilíbrio entre forças de tração e compressão. Na prática, a geometria superior não repousa sobre pilares: ela fica pendurada por nove cabos de aço galvanizado ligados à estrutura inferior, criando a ilusão de que a gravidade foi invertida. A gigantesca forma geométrica triangular de aço corten (balanceada por concreto) transforma cálculo, engenharia e arquitetura em uma experiência visual que parece desafiar as próprias regras da matéria. Mas é justamente quando se entende como ela se sustenta que a obra começa a revelar seu verdadeiro peso. O título faz referência ao mito de Atlas, o titã condenado por Zeus a carregar o céu eternamente. Na leitura de Schneider, a história ganha uma camada contemporânea: “O peso das responsabilidades, da produtividade, da cobrança por performance e da hiperconexão que marca a vida atual. O Atlas de hoje, portanto, não carrega apenas o firmamento. Carrega prazos, expectativas, contas, compromissos e a sensação permanente de que não pode deixar nada cair.” E é aí que a obra dá sua melhor pirueta conceitual. Sob a massa monumental que parece prestes a desabar – mas não cai – há um balanço. O público é convidado a sentar, balançar e experimentar uma espécie de suspensão diante daquele peso todo. A instalação transforma a ameaça em brincadeira e a gravidade em leveza, propondo uma pausa diante daquilo que normalmente nos esmaga. “E se a gente fizesse amizade com os monstros que nos assustam?”, provoca Schneider. A inauguração também teve um sabor especial para a família Brito, da Pinheiro Ferragens, que marcou presença em peso, capitaneada pela matriarca Letinha Brito. Pioneira de Brasília, ela, ao lado do marido, ajudou a colocar de pé inúmeras estruturas que hoje fazem parte da história da capital. Hoje, a empresa é comandada pelas filhas Janine, Jane e Janete. A participação da família nessa nova empreitada monumental é especialmente simbólica: foi a Pinheiro Ferragens quem doou o aço corten utilizado na confecção da obra. O encontro entre essa memória de Brasília e uma escultura que aponta para o futuro parece, portanto, quase inevitável. Entre conversas, encontros e muitos celulares apontados para a escultura suspensa, a noite teve ainda projeções mapeadas e discotecagem por Alexandre Rangel e food trucks. O evento reuniu gente do universo empresarial, da arquitetura e do design, além de familiares, amigos e curiosos atraídos pela novidade. Afinal, não é todo dia que Brasília recebe uma obra de sete toneladas que parece querer escapar do chão. E talvez esteja justamente aí a força de A Queda de Atlas: uma obra que fala sobre o peso do mundo sem colocar mais peso sobre quem a observa. Pelo contrário. Convida a parar, olhar para cima e, por alguns instantes, simplesmente balançar. A instalação que chegou no mesmo dia da abertura noturna mensal do SESI Lab, no Setor Cultural Sul, onde permanece em exposição até o fim do ano. Em tempo, não deixe de seguir @aquedadeatlas no Instagram. Confira quem passou pela abertura pelas lentes deste colunista/fotógrafo:

Sete toneladas no ar: Brasília ganha um novo monumento Read More »

Yayoi Kusama, o fim do pontilhado

Da dor psíquica às bolinhas que conquistaram o mundo, artista japonesa transformou alucinações em linguagem artística, aproximou arte da moda e levou mais de 400 mil pessoas ao CCBB Brasília. Há artistas que fazem arte. Yayoi Kusama fez de si própria uma obra de arte. E talvez seja justamente por isso que sua morte, anunciada nesta quinta-feira, 27 de agosto, aos 97 anos, pese tanto sobre o mundo da cultura. A artista japonesa morreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio, onde vivia por vontade própria havia décadas. Até os últimos dias, continuou pintando. Kusama passou a vida transformando aquilo que poderia ser visto apenas como sofrimento em uma das linguagens mais reconhecíveis da arte contemporânea. Desde a infância, convivia com alucinações visuais e descrevia experiências em que enxergava pontos, redes e padrões que pareciam se multiplicar indefinidamente. Em vez de esconder esse universo, ela o colocou na tela, na escultura, na performance e, mais tarde, em instalações imersivas que fizeram milhões de pessoas entrar literalmente dentro de sua mente. As famosas bolinhas, portanto, nunca foram apenas uma assinatura estética: eram também uma maneira de dar forma ao que ela via e sentia. E aqui está uma das dimensões mais importantes de seu legado. Kusama ajudou a retirar o sofrimento psíquico do lugar de silêncio e vergonha e colocá-lo no centro da conversa sobre criação, identidade e existência. Ela falava abertamente sobre suas alucinações e sobre a relação entre sua saúde mental e sua produção artística. Depois de retornar ao Japão, em 1973, passou a viver em uma instituição psiquiátrica em Tóquio, mantendo um ateliê próximo e uma rotina de produção que atravessou décadas. Sua arte não deve, evidentemente, ser reduzida à doença — Kusama foi uma artista extremamente sofisticada, consciente e radical —, mas é impossível compreender a potência de sua obra sem reconhecer como ela transformou uma experiência psíquica profundamente particular em uma linguagem universal. Foi assim que pontos viraram infinito. E o infinito virou espelho, luz, abóbora, sexo, corpo, natureza, obsessão e, sobretudo, experiência. Nas Infinity Mirror Rooms, o visitante deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte da obra, perdido entre reflexos e pontos luminosos. Em Inhotim, onde ganhou uma galeria permanente em 2023, estão duas dessas experiências imersivas, I’m Here, But Nothing e Aftermath of Obliteration of Eternity, além de Narcissus Garden, com centenas de esferas espelhadas sobre a água. E se hoje parece absolutamente natural ver arte contemporânea atravessar as fronteiras dos museus, da publicidade, da música e da moda, Kusama ajudou a pavimentar esse caminho. Ela entendeu antes de muita gente que uma linguagem artística potente poderia ocupar também o cotidiano. Um dos capítulos mais emblemáticos foi sua parceria com a Louis Vuitton, iniciada a partir do encontro com Marc Jacobs e transformada em coleções que levaram seus famosos polka dots para bolsas, roupas, sapatos e acessórios. A colaboração voltou a ganhar força em 2023, quando a maison retomou o universo visual da artista em uma nova coleção. Mas Brasília também tem uma história especial com essa mulher que parecia enxergar o mundo em outra frequência. Em 2014, a exposição “Obsessão Infinita”, apresentada no CCBB Brasília, levou mais de 400 mil visitantes às galerias — recorde de público do centro cultural na capital até então. Filas enormes se formaram diante de uma exposição que transformou pontos, espelhos, luzes e repetição em um fenômeno popular. Brasília, que tantas vezes se orgulha de sua monumentalidade arquitetônica, descobriu ali uma outra forma de ocupar o espaço: entrando no universo infinito de Kusama.   Talvez seja essa a imagem que fica. Uma mulher japonesa que saiu de Matsumoto, atravessou a vanguarda de Nova York nos anos 1960, enfrentou preconceitos, apagamentos e crises, voltou ao Japão e, sem abandonar suas obsessões, construiu uma das identidades mais poderosas da arte mundial. Uma artista que fez da repetição uma revolução e daquilo que poderia ser considerado um limite uma possibilidade de expansão. Yayoi Kusama nos ensinou que o infinito pode caber em uma bolinha. Que uma alucinação pode virar linguagem. Que a arte também pode ser abrigo. E que aquilo que nos assusta, quando encontra forma, talvez deixe de nos dominar. A artista partiu, mas seu universo não tem a menor intenção de acabar. E talvez seja exatamente por isso que suas bolinhas continuam nos olhando de volta.   P.s. Siga @yayoikusamamuseum Fotos: Reprodução/Instagram

Yayoi Kusama, o fim do pontilhado Read More »

Você não vai querer ficar de fora do #VEMPROPLAY

Festival gratuito reúne 150 alunos em 40 bandas, além de fitness, gastronomia, atividades infantis e experiências para toda a família.   Se domingo é dia de sair de casa, a Coluna #PERAMBULANDO recomenda o #VEMPROPLAY 2026 que tem inúmeros bons motivos para entrar na agenda. Neste domingo, 30 de agosto, o Estacionamento 10 do Parque da Cidade Sarah Kubitschek recebe a sexta edição do festival, que reúne 40 bandas formadas por 150 alunos de escolas e núcleos de ensino musical de Brasília. Das 9h às 23h, a programação mistura música, bem-estar, gastronomia, atividades para crianças, feira de produtos artesanais, DJ, sorteios e outras experiências. E o melhor: a entrada é gratuita, mediante retirada antecipada de ingresso no Shotgun. Idealizado por Rodrigo Vegetal e realizado pela Vegetal Produções, o #VEMPROPLAY nasceu com uma missão simples, mas nada pequena: tirar os estudantes da sala de aula e colocá-los no palco. Só que, ao longo das seis edições, o projeto ganhou outra dimensão. Antes de chegar ao Parque da Cidade, os alunos passam por formação de bandas, escolha de repertório, ensaios, oficinas de performance e percussão e até uma sessão profissional de fotos. Em 2026, essa jornada começou em junho e segue até os ensaios finais, previstos até 23 de agosto. 15 A preparação também é parte importante da experiência. Na oficina de performance, os alunos trabalham confiança e presença de palco a partir de técnicas das artes cênicas. Já a oficina de percussão promove uma imersão em ritmos brasileiros, com canto, jogos musicais e instrumentos como alfaia, agbê, caixa e gonguê. A ideia, explica Rodrigo, é que o estudante perceba que é capaz de realizar algo que talvez, no começo, parecesse distante. “Mais do que os minutos em cima do palco, o que eu espero que cada aluno leve do #VEMPROPLAY é essa certeza: ‘eu consegui fazer algo que eu sonhava em fazer’”, resume. No domingo, o resultado de toda essa preparação estará diante do público. Entre as escolas e núcleos participantes estão Escola de Guitarra Rodrigo Vegetal, Centro Musical LP, Centro Musical Toque de Classe, School of Rock e GTR Instituto de Guitarra, além de alunos orientados pelos professores César Ribeiro, Cid Moraes, Gabriel Soledade, André Fantom, Thiago Chaves, Sebastian Vargas, Daniel Moscardini e Josivaldo Santos. As apresentações das bandas seguem até as 21h, quando o DJ Maraskin assume o comando e, na sequência, acontece o show dos professores. Mas não é preciso ser músico, nem sequer entender de música, para aproveitar o festival. A programação foi pensada para transformar o #VEMPROPLAY em um programa de domingo para toda a família. A Arena Fitness reúne atividades ligadas ao movimento e ao bem-estar, a área gastronômica terá food trucks, a feira de produtos artesanais amplia o passeio e o espaço infantil Cerrado Kids garante diversão para os pequenos. Ativações e sorteios completam a programação. “A ideia é fazer com que o #VEMPROPLAY seja mais do que o momento do show: que ele seja um dia inteiro de experiências em torno dessa conquista tão especial que é ver alguém que você ama realizando o sonho de subir no palco”, explica Rodrigo. É justamente aí que o festival parece encontrar seu charme: a música continua sendo a protagonista, mas ganha a companhia de tudo aquilo que faz um bom domingo durar mais. Para quem quiser uma experiência com mais comodidade, haverá ainda a Área Comfort, com acesso mediante ingresso específico e opções como Premium Pass e Premium Pass + Kit Parceiro. Crianças de até 10 anos têm entrada gratuita no espaço quando acompanhadas de adulto com ingresso. Na Arena Fitness, menores de 10 anos também podem participar acompanhados de responsável legal, conforme as condições estabelecidas pela organização. Com seis edições, 40 bandas e 150 estudantes envolvidos, o #VEMPROPLAY chega à sua maior edição celebrando justamente aquilo que acontece antes do aplauso: aprendizado, disciplina, ensaio, amizade e, claro, a deliciosa sensação de finalmente poder dizer “eu consegui”. Agora clique aqui para conferir a programação completa. Partiu? #VEMPROPLAY 2026 – 6ª edição Data: | Parque da Cidade Sarah Kubitschek, Estacionamento 10, Brasília/DF | 30 de agosto – 9h às 23h | Gratuito – mediante retirada de ingresso no Shotgun | Siga @vemproplay.bsb Fotos: Divulgação

Você não vai querer ficar de fora do #VEMPROPLAY Read More »

Exposições novinhas na Cerrado Cultural… vem ver!

Identidade e memória: Rafael de Almeida e Abraão Veloso trazem o couro e a lã em individuais inéditas, com visitação gratuita até 12 de setembro.   No último sábado, 15 de agosto, a Cerrado Cultural, no Lago Sul, esteve movimentada e com público expressivo para a abertura simultânea de duas exposições inéditas em Brasília: “Antes do couro ceder“, de Rafael de Almeida, e “Um abraço em um fio de lã“, de Abraão Veloso. O público — formado por artistas, curadores, colecionadores e convidados de diversas regiões — acompanhou as primeiras individuais dos artistas na capital federal, em um encontro marcado pela forte identificação com a paisagem, a memória e a identidade do Centro-Oeste. No pavimento térreo, a exposição “Antes do couro ceder“, de Rafael de Almeida, sob curadoria do jornalista e crítico italiano Matteo Bergamini, apresenta um percurso inédito pelo imaginário do Cerrado. Combinando cianotipia, arquivos reais, imagens geradas por IA, colagens e tinta a óleo, o artista tenciona a figura do cowboy e os modelos de masculinidade do cotidiano rural. Durante a abertura, Rafael enfatizou a ligação visceral com o território e a relevância de compartilhar o projeto com o público. “Colocar essa exposição de pé é um projeto que envolve muitas mãos, muitos sonhos e muitos desejos. Poder ver isso materializado e compartilhar num sábado de manhã com tanta gente querida é algo que realmente dá uma esperança no nosso coração. A gente está aqui no Cerrado, a maioria de nós nasceu aqui nesse espaço, nessa terra vermelha que entra pelos nossos dedos e nunca nos abandona. Espero que essas imagens possam ressoar no peito de vocês do mesmo modo que me mobilizam a ponto de ter a necessidade de colocá-las para fora”, destacou o artista. No piso superior, “Um abraço em um fio de lã“, de Abraão Veloso, sob curadoria do artista e pesquisador Divino Sobral, traz obras produzidas entre 2024 e 2026. Ao articular pintura, tecelagem e crochê, Abraão retrata jovens negros e integrantes da comunidade LGBTQIAP+ em momentos de intimidade e pausa, resgatando fazeres manuais e memórias familiares. Em sua fala durante o evento, Abraão ressaltou o caráter afetivo e celebrativo da mostra. “Aos amigos que vieram de longe e de perto para prestigiar — tem gente que veio de São Paulo, de Goiânia, os amigos do Jatobá, os musos das obras —, muito obrigado. Essa exposição é um convite para a gente estar numa atmosfera de alegria, de afeto, de bênção, de sensação de vida mesmo. Espero que vocês se sintam acolhidos, assim como proponho para esses personagens, amigos e pessoas que admiro”, pontuou. As exposições “Antes do couro ceder” e “Um abraço em um fio de lã” seguem em cartaz na Cerrado Cultural até 12 de setembro. O espaço fica na SHIS QI 05, Chácara 10, no Lago Sul, com entrada gratuita e visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. Mais informações podem ser acompanhadas no perfil do Instagram da galeria, @cerrado.galeria. Agora, veja alguns cliques especiais feitos por Nina Quintana durante a abertura das individuais: Abraão Veloso Gosta de arte-plástica?  “Antes do couro ceder” (Rafael de Almeida) e “Um abraço em um fio de lã” (Abraão Veloso) – Curadorias de Matteo Bergamini e Divino Sobral | até 12 de setembro de 2026 – segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h | Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília/DF | Livre e Gratuita | Siga: @cerrado.galeria   Fotos: Nina Quintana  

Exposições novinhas na Cerrado Cultural… vem ver! Read More »

Não perca o Iate in Concert 2026!

Com o tema Uma Volta ao Mundo Pelos Clássicos, espetáculo reúne grandes clássicos, vozes líricas e balé em uma  viagem por diferentes culturas e encerramento com Bolero de Ravel. Há viagens que exigem passaporte. Outras, uma boa poltrona e ouvidos atentos. No Iate in Concert 2026, basta chegar ao Iate Clube de Brasília. No dia 29 de agosto, a música será o veículo para uma volta ao mundo por alguns dos grandes clássicos da música de concerto, com direito a ópera, dança, vozes líricas e um grand finale daqueles que prometem deixar a plateia querendo bis. Sob o conceito “A Volta ao Mundo pelos Clássicos”, a Orquestra Filarmônica de Brasília, sob a regência do maestro Thiago Francis, conduz a noite como quem desenha um mapa musical. Cada obra representa uma nova parada, atravessando países, épocas e tradições. A viagem começa em casa, com Carlos Gomes e Heitor Villa-Lobos, passa pela elegância vienense de Johann Strauss II, desembarca na Itália com árias que dispensam apresentações, como Nessun Dorma, La Donna è Mobile e Brindisi, e segue por paisagens sonoras do Leste Europeu, China, Japão, Espanha e França. No caminho, aparecem ainda clássicos de Carmen, Lakmé e O Barbeiro de Sevilha. Para dar voz a esse roteiro internacional, o concerto reúne quatro solistas: a soprano francesa Laetitia Grimaldi, a mezzo-soprano brasileira radicada na Itália Marina Melaranci, o tenor Daniel Menezes e o barítono Vitor Monte. Uma escalação que promete fazer justiça ao repertório e colocar diferentes timbres em diálogo com a orquestra. Mas se existe um momento para marcar na agenda, é o final. Ao som de “Bolero”, de Maurice Ravel, músicos e bailarinos finalmente dividem o mesmo espaço. A Orquestra Filarmônica de Brasília se encontra com o grupo Bailarinos de Brasília em uma coreografia criada especialmente para o espetáculo. Música e movimento se misturam para transformar uma das obras mais conhecidas do repertório clássico em uma experiência visual. E o Iate in Concert tem ainda outra história para contar. Realizado desde 2015, o projeto chega à sua 11ª edição carregando uma tradição que vai além da música. Ao longo de dez edições, já levou mais de 33 mil pessoas ao concerto e arrecadou mais de 165 toneladas de alimentos, destinados a instituições e famílias em situação de vulnerabilidade. A lógica solidária continua em 2026: o ingresso custa R$ 80, valor correspondente a uma cesta básica, com a contribuição feita diretamente no momento da compra. Não é preciso levar alimentos no dia do espetáculo. Às margens do Lago Paranoá, o Iate in Concert reafirma assim sua fórmula — grandes músicos, repertório conhecido, produção caprichada e uma causa que faz a experiência valer ainda mais. Afinal, se é possível viajar por Brasil, Áustria, Itália, Japão, Espanha e França em uma única noite, melhor ainda quando a passagem ajuda a colocar comida na mesa de quem precisa. Vamos? | Iate in Concert 2026 – A Volta ao Mundo pelos Clássicos | Iate Clube de Brasília | 29 de agosto (sábado) – 18:00 | R$ 80 com doação de uma cesta básica (contribuição diretamente pela Bilheteria Digital na quisição do ingresso, sem necessidade de leva-lá ao evento) | Livre Fotos: divulgação

Não perca o Iate in Concert 2026! Read More »

Rolar para cima