Onde o Cerrado encontra o Sol Nascente

A Coluna #PERAMBULANDO exalta “Passageiro”, exposição que rola do outro lado do mundo, unindo entulho colonial do DF ao zen budista japonês em uma experiência visual incrível.

Se você ainda não está sabendo do rasante que a arte brasiliense está dando no Oriente, a hora é agora. O artista João Angelini está em solo japonês com a exposição Passageiro,  até o dia 9 de maio. Esqueça as definições tradicionais de “exposição”. O que Angelini apresenta no centro cultural @koganechoamc, em Yokohama, é o resultado vibrante de seis meses de imersão total no Japão. A convite da Embaixada do Brasil em Tóquio, o artista trocou a poeira de Planaltina pelo refinamento tecnológico e espiritual de Yokohama, e o resultado é uma investigação potente sobre o que significa ser, justamente, um passageiro: aquele que atravessa fronteiras, sistemas e memórias.

Uma ponte entre o Cerrado e Kyoto

 A mostra é um convite para #PERAMBULAR (nem que seja vitualmente: confira esse post babadeiro!) por 23 obras inéditas que misturam pintura, escultura, vídeo e até referências que todos nós amamos, como mangás e animes. O grande destaque — e que dá o tom da genialidade do João — é a obra A Linha do Desejo. Nela, ele faz o impossível: une fragmentos de entulho de uma casa colonial de 1830, lá de Planaltina, com padrões geométricos inspirados em templos budistas de Kyoto. É o encontro do nosso barro com o zen japonês; da nossa história de expansão com a contemplação oriental.

Os trabalhos partem de tensões e aproximações entre Brasil e Japão — econômicas, históricas e estéticas — mas também da escuta e da imersão no cotidiano”, revela Angelini. Para ele, tudo ali é transitório, como uma imagem em dissolução.

Esta é a primeira individual internacional do artista, consolidando sua presença no circuito global. Radicado na periferia rural de Brasília e membro do incensado coletivo EmpreZa, Angelini leva a força da nossa produção local para um dos palcos mais exigentes do mundo.

Sobre o Artista

João Angelini vive e trabalha em Planaltina (DF). Sua prática transita entre a gravura, o vídeo e a performance, sendo representado pela Referência Galeria. É um mestre em investigar os “modos de fazer” e as conexões entre diferentes suportes.

Arigatô & Sayonara!

Passageiro, de João Angelini / Centro Cultural @koganechoamc, Yokohama, Japão / Até 9 de maio / Embaixada do Brasil em Tóquio, Instituto Guimarães Rosa e Conexão Cultura DF

Fotos: Divulgação

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