Entre sons, texturas e paisagens invisíveis, experiências imersivas em Brasília propõem uma reconexão urgente com a natureza.
Em tempos em que tudo disputa nossa atenção por telas, algoritmos e notificações, cresce, felizmente, o desejo por experiências que nos devolvam ao essencial: o corpo presente, a escuta atenta, o contato direto com a natureza. Brasília entra forte nessa conversa com duas propostas imersivas que, cada uma à sua maneira, apostam no sensorial como caminho de reconexão: Experiência Animal, no Zoológico de Brasília, e Botânica, instalação sonora que ocupa o Parque Olhos d’Água.
No Zoológico, a palavra-chave é vivência. A inédita Experiência Animal, em cartaz a partir de 11 de fevereiro, transforma a visita tradicional em um percurso interativo que estimula sentidos muitas vezes adormecidos. Sons da fauna, texturas que reproduzem pelos e penas, ambientes inspirados em ecossistemas diversos e desafios lúdicos convidam crianças e adultos a sentir, literalmente, a vida selvagem. Mais do que observar, a proposta é criar vínculo, curiosidade e consciência ambiental desde cedo.

Idealizada por Bruno C. de Macedo, a exposição nasce com um propósito claro: aproximar pessoas da biodiversidade de forma sensível e acessível. Com mediação pedagógica, recursos de acessibilidade e uma metodologia baseada em pensadores como Lev Vygotsky e Mitchel Resnick, a experiência aposta no aprendizado ativo, onde tocar, ouvir e experimentar se tornam ferramentas de conhecimento. O resultado é um zoológico que se reinventa como espaço educativo, afetivo e contemporâneo – sem perder sua memória afetiva tão cara aos brasilienses.
Já no Parque Olhos d’Água, a imersão acontece pelo ouvido. Botânica, obra do artista australiano Iain Mott, propõe um passeio onde o invisível ganha protagonismo. Munidos de fones de ouvido e tecnologia de rastreamento por GPS de alta precisão, os participantes caminham pelo parque enquanto descobrem uma paisagem sonora cuidadosamente composta e espacializada, que se revela de acordo com cada passo, gesto e movimento da cabeça.

Descrita pelo artista como uma “fantasia sonora”, Botânica não substitui a natureza, ela se soma a ela. A tecnologia aqui é discreta, quase silenciosa, usada não para competir com o ambiente, mas para ampliar a escuta e aprofundar a relação com o espaço natural. O parque segue sendo parque; o que muda é a forma como nos colocamos nele. A obra, em cartaz de 6 de fevereiro a 1º de março de 2026, é fruto de anos de pesquisa em ambisonics e deriva do projeto Ambisonic Cerrado, reafirmando Brasília como território fértil para experimentações entre arte, ciência e paisagem.
Seja pelo toque, pelo som ou pelo simples ato de caminhar com atenção, essas duas experiências nos lembram de algo fundamental: a natureza não precisa ser explicada, ela precisa ser sentida. Em comum, Experiência Animal e Botânica nos convidam a desacelerar, escutar melhor e reaprender a estar presentes. Um luxo cada vez mais raro e cada vez mais necessário. E claro, mais informações, basta acessar @experienciaanimal_ ou www.escuta.org/botanica.
Serviços:
Experiência Animal / Zoológico de Brasília / 11 de fevereiro a 11 de maio / Terça a domingo – 10h às 16h / Gratuita mediante ingresso regular do Zoológico / Livre / @experienciaanimal_
Botânica – um jardim de som / Parque Olhos d’Água – Quadras 413 e 414, Asa Norte, Brasília-DF / 6 de fevereiro a 1º de março / Sexta a domingo – 10h às 18h / Livre / www.escuta.org/botanica
Fotos: Divulgação



