Rodolfo Rodrigues sobre moda: “O mundo está abrindo a mente em relação a tudo”

Modelo dos mais requisitados, Rodolfo Rodrigues é cultura, moda e estilo em sua figura cheia de faces para a moda
Por Fernando Lackman (em quarentena de verdade)

Ele é um dos modelos brasilienses que mais tem histórias para contar. Viajou para diversos países, conheceu culturas, se divertiu e ralou como poucos. Em seu currículo há grandes fotógrafos, grandes desfiles, e grandes aparições no mundo da moda internacional.

Rodolfo Rodrigues é cria da capital do país tendo sido descoberto em um concurso de modelos realizado pelo extinto evento Park Fashion. Por aqui, dificilmente não está em casts de desfiles. Todo mundo ama o Rodolfo, todo mundo quer o Rodolfo em fotos, passarelas e campanhas. Desde que o conheci, quando estava em Brasília, sempre esteve nos castings de eventos que produzi. Sou fã do trabalho e do homem que ele se tornou. Não há camarim sem o humor dele e muito menos sem sua beleza incontestável. Conheçam mais sobre esse super-blaster-master modelo brasiliense nessa entrevista que fizemos de maneira 100% virtual.

Conte um pouco sobre sua trajetória até se tornar modelo internacional?

Posso dizer que sou “nômade” desde sempre porque sou filho de militar, e na vida do militar existem as transferências e assim com tais ocorrendo com meu pai, a família seguia unida pra onde quer que fosse o lugar, morei em diferentes cidades no Brasil. Nasci em Araguari-MG, mas fui criado em Goiânia, que era onde meus pais estavam morando na época, lá fiquei meus primeiros 9 anos de vida, depois começaram as transferências, pro Amazonas (sim, já morei 2 anos nos Amazonas!), cidade chamada São Gabriel da Cachoeira, bem perto da linha do Equador, depois disso mais uma transferência dessa vez pro Sul do país, Curitiba-PR, onde morei por 4 anos e me integrei no CMC (Colégio Militar de Curitiba), de lá fomos transferidos pra Brasília-DF e foi aqui que continuei e concluí meus estudos até meu ensino médio no CMB (Colégio Militar de Brasília), com muito orgulho faço parte desse grupo de pessoas que foram alunos de colégios militares, pois se sou o que sou hoje devo muito ao que aprendi lá.

Concurso ParkFaces

Estudando no 2º ano do ensino médio, um conhecido meu me aconselhou a participar de um concurso de modelo que rolaria no ParkShopping, durante a semana de moda chamada ParkFashion. O concurso era o ParkFaces, no meio de milhares de pessoas que se inscreveram pra participar e fizeram fila até o estacionamento aguardando pra verem se seriam selecionados, eu estava todo despretensioso e acabei sendo selecionado entre os finalistas do concurso, não cheguei a vencer,  mas com a notoriedade que o concurso proporcionava na cidade agências locais me procuraram querendo trabalhar comigo. Escolhi a Scouting, da Marina Sakamoto, e assim comecei minha carreira.

Fiquei 2 anos fazendo trabalhos em Brasília antes de poder viajar pra fora porque também ainda não tinha finalizado o ensino médio, a Scouting era ligada a Ming Management, que é uma agencia que trabalha carreiras internacionais e estavam acompanhando minha preparação pra até o momento de, finalmente, eu poder zarpar pra área internacionais que veio a acontecer no final de 2011. Comecei indo trabalhar na China (loucura né?) primeira vez fora do país e já indo direto pro outro lado do planeta (haha).

No início, o que mais te deixou inseguro?

Foi justamente o fato de ter sido a China o primeiro país que fui, uma cultura totalmente diferente, e eu não sabia muita coisa sobre o país, hábitos, costumes, comportamento, língua, comida, também o fato de apesar de ter estudado inglês e ter facilidade, e ainda sabendo que lá não é a língua nativa, eu não era fluente. Essas questões me deram aquele famoso sentimento de borboletas no estômago de nervosismos, mas ao mesmo tempo super animado com tudo o que estava pra acontecer porque amo viajar, amo sair da rotina, e quer um maior “sair da rotina” do que isso?

E quais foram os pontos mais positivos no comecinho da sua carreira fora do país?

Pontos mais positivos foram primeiramente as pessoas que conheci, especialmente os brasileiros que já eram experientes nessa questão de trabalhar internacionalmente. Me apoiaram e me ajudaram demais em tudo, me ensinaram muito, mas ao mesmo tempo, apesar de ter amigos me ajudando, o fato de que eu estava por conta própria, me impulsionou, me motivou a crescer e amadurecer em tudo.

Por Thais Cunha

O mercado masculino é mais discreto que o feminino. Mas temos visto que, pelo menos em quantidade de trabalho, tem melhorado para os homens, você acredita que isso é uma crescente?

Acredito que está melhorando sim. O mundo está abrindo a mente em relação a tudo, e os homens, no geral, estão se cuidando mais, cada vez mais vaidosos, e isso ajuda direta e indiretamente pra que o mercado dos modelos masculinos cresça, não somente isso, mas é uma das principais razões de ver o crescimento como um todo, apesar de achar meio impossível chegar a um patamar de influência igual ao que as mulheres tem no meio.

 

Desfile Dolce & Gabbana, em Milão

Tem um momento inesquecível para contar?

Tenho vários, conhecer todos os países que conheci, ir pra ilhas paradisíacas que antes nem sabia da existência e nunca tinha nem sonhado em conhecer, mas acho que o maior em termos de carreira foi ter desfilado pra Dolce & Gabbana na semana de moda de Milão. Toda aquela atmosfera e tudo mais, foi bem gratificante.

 

E uma história hilária?

Participei de um desfile na China, no comecinho da primeira viagem, que era estilo um desfile Victoria Secret’s. Tinham todas as meninas com asas, aqueles looks que todos conhecemos, e tinham asas também pra mim e pra um amigo meu que também estava lá pra desfilar, os únicos homens no meio das meninas e estavam chamando a gente de “Victor’s Secrets”, no dia foi bem engraçado isso pra mim.

Teve algum momento em que você se sentiu constrangido? Para você, onde está o limite em ser modelo?

Uma situação que passei na China também fotografando uma campanha de jeans que o dono da marca estava presente no trabalho e veio na minha direção enquanto eu estava no meio de uma troca de calças jeans e ele veio puxar minha cueca pra olhar minhas partes íntimas vamos colocar assim, e na hora fiquei perplexo com a atitude, fui pra tirar satisfação com ele, e tiveram que me segurar pra eu não tomar uma atitude que poderia me prejudicar depois, afastaram ele de lá depois que pedi pra ele não chegar mais perto de mim. Foi bem constrangedor e fiquei bem irritado no dia.

Rodolfo abrindo o desfile do estilista Romildo Nascimento no Summer Collections 2019 (Foto – Duo Image)

Não julgo os que fazem, até porque não sei a situação que se encontram, como pensam e entendem as coisas, cada um tem uma visão da vida e do mundo que quer, mas tem os (as) modelos que escolhem caminhos mais curtos pra chegarem no topo ou conseguirem algo que querem muito, é o chamado book-rosa, pra mim e ao meu entender de vida, meus princípios não me permitem passar por tal situação. Antes trabalhar mais e fazer o caminho mais longo do que passar por isso, e se me dissessem que só assim eu chegaria em algum lugar na carreira, eu ignoraria e continuaria trabalhando pra alcançar o máximo que eu conseguir dentro dos meus princípios ou escolheria outra coisa pra fazer.

Há algum trabalho que você não faz? Já disse não para algum tipo de job?

Trabalhos desnecessários, que não te somam em nada com excesso de exposição, nudez sem sentido, vulgar demais sem nenhum sentido artístico, enfim há diferentes motivos que me fariam negar trabalhos, mas vai depender das cláusulas do contrato e do que me pediriam pra fazer, algo como maus-tratos contra animais é algo que eu também jamais aceitaria fazer.

Campanha para a marca Playboy Underwear, na China

Quais são suas principais dicas para quem está começando e precisa ter atenção para não se frustrar no futuro?

Minha dica/conselho, é ter paciência! Saber que nesse meio você vai escutar muito mais “NÃO”, do que “SIM”, no começo tudo é bem difícil até você entender como funciona. Se adaptar o mais rápido possível ao mercado, ou situações, sempre estar aberto a aprender com todas as pessoas que conhece. Tenha certeza de que todos eles têm algo para ensinar. E saber que mesmo nos momentos que você não acredita em você mesmo, tem que se lembrar que há pessoas que acreditam, que pra elas você é inspiração, que você as motiva de alguma forma mesmo que não entenda como, que é um espelho pra quem te olha, não só em questão de aparência, mas atitude, como você se cuida, saúde, alimentação, personalidade, influência que tem nas pessoas a sua volta é um exemplo. Está implícito já no próprio nome MODELO.

É as pessoas olharem pra você e não é quererem ser você, mas enxergar em você uma pessoa em quem eles se espelham, uma pessoa que as motivam ser a melhor versão delas mesmas, porque enxergam nisso o que você conseguiu ou que, pelo menos é a energia que sentem de você, energia que você emana, que dia após dia você aparente estar no caminho certo, é uma evolução constante, aprendizado constante.

Ser modelo é isso, e muito mais, isso foi só um resumo do meu entender, como em qualquer profissão, seja determinado, seja disciplinado, visualize os seus objetivos, e vá em frente.  Mantenha a humildade, tenha respeito e seja você mesmo, esse é o seu diferencial.

Quais são seus próximos planos de carreira?

É seguir minha carreira internacional, trabalhar e conhecer mais países, e quem sabe num futuro aí movimentar pra uma carreira de ator, ou alguma coisa relacionada já a minha carreira de modelo, vamos ver, um dia de cada vez, tentar e saber aproveitar ao máximo as oportunidades que essa vida pode me proporcionar, pois novas portas poderão se abrir daqui pra frente.

 

Galeria de trabalhos com grandes fotógrafos

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Fotos: Divulgação e Acervo Pessoal

 

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