Pandemia pode significar fim dos testadores de maquiagem em lojas

Produtos de maquiagem em exposição podem facilitar contaminação pelo novo Coronavírus, além de também favorecerem a proliferação de causadores de doenças como herpes, infecções e alergias

Devido à pandemia do Coronavírus, o mundo passou por uma série de transformações. E agora, com a flexibilização da quarentena, novos hábitos e cuidados devem fazer parte de nossa rotina para evitar a transmissão e proliferação do vírus causador da Covid-19. Uma mudança já prevista no mundo da beleza é com relação aos testes de rímel, delineador, lápis de olho, gloss e batons que muitas lojas de maquiagem ou departamento oferecem aos clientes que estão em dúvida sobre a compra de um produto.

“O Coronavírus pode ser transmitido tanto de pessoa para pessoa, quanto pelo contato com superfícies contaminadas. E como as amostras de maquiagem podem ser facilmente contaminadas pelas gotículas de saliva de outros usuários é um grande risco utilizá-las nesse momento, principalmente pelo fato desses produtos serem aplicados próximos aos lábios, olhos e nariz, áreas de mucosa que facilitam o contágio pelo vírus”, afirma a dermatologista e tricologista Dra. Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. “É claro que as informações sobre a persistência do Coronavírus em cosméticos ainda são escassas. Mas estudos relatam que, dependendo da superfície, o Coronavírus pode permanecer em atividade entre duas horas e três dias, tempo suficiente para que o próximo cliente a utilizar as amostras seja contaminado.”

“Estudos relatam que, dependendo da superfície, o Coronavírus pode permanecer em atividade entre duas horas e três dias, tempo suficiente para que o próximo cliente a utilizar as amostras seja contaminado.” (Dra. Kédima Nassif)

E o contágio não é o único risco oferecido pelas amostras de maquiagem de uso público. “Batons e outras maquiagens de demonstração estão expostos, de forma constante, a uma quantidade enorme de germes, incluindo estafilococos, estreptococos e E. Coli. Quando aproximamos este tipo de bactérias dos olhos, nariz ou boca, há um risco maior de constipação, infecção na garganta ou até doenças mais sérias, como herpes, que pode ser transmitida através do compartilhamento do batom, se passado diretamente nos lábios”, acrescenta a dermatologista. Gripe, mononucleose e outras doenças respiratórias e bacterianas também podem ser facilmente transmitidas pelo uso das amostras de maquiagem.

De acordo com dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology (AAD), essa também é uma das principais causas de dermatite de contato alérgica e conjuntivite de repetição. “Além disso, o produto em exposição, na maioria das vezes, não é devidamente armazenado em lugar fresco e seco, fica debaixo de luzes, é manipulado de modo inadequado e, logo, tem um potencial de conservação muito menor, o que também pode facilitar a proliferação de microrganismos, a transmissão de doenças e a irritação da pele”, alerta a médica.

Um estudo da Universidade de Rowan (EUA) publicado em 2010 descobriu, que 100% dos testers de maquiagem, quando testados ao fim de semana em grandes superfícies, continham germes. A equipe de pesquisadores foi disfarçada em três lojas populares de maquiagem dos Estados Unidos (Sephora, Macy’s e Ulta) para coletar amostras de testadores de maquiagem e então os enviou para um laboratório de microbiologia certificado para testes. Em todas as três lojas, algumas amostras de maquiagem voltaram com bactéria prejudicial.

Então, a recomendação da Dra. Kédima Nassif é que, principalmente nesse momento pós-quarentena, as amostras de maquiagem não sejam, de forma alguma, utilizadas. “Uma alternativa seria testar a maquiagem no pulso ou na ponta dos dedos, onde não existe risco de contato com as mucosas ou a corrente sanguínea, mas essa opção também não é 100% segura, já que podemos, em algum momento de distração, levar a mão e, consequentemente, o vírus ao rosto”, afirma a Dra. Kédima Nassif.

Segundo a Dra. Claudia Marçal, outra opção, no caso de batons, é usar um pincel descartável para provar o produto e pedir para a vendedora derramar um pouco de álcool na bala da maquiagem, além de raspar a parte mais externa. “Use no pincel o que está embaixo. Mesmo que a maquiagem apresente boas condições, o uso de instrumentos descartáveis é a melhor opção para aplicá-la na pele. Mas ainda assim o melhor é evitar”, afirma.

“Mesmo que a maquiagem apresente boas condições, o uso de instrumentos descartáveis é a melhor opção para aplicá-la na pele. Mas ainda assim o melhor é evitar” (Dra. Claudia Marçal)

Por esse motivo, o esperado é que as lojas de maquiagem procurem novas formas de atender seus clientes para de adaptarem ao novo normal. Nos Estados Unidos, isso já pode ser visto em grandes lojas de maquiagem, como a Sephora, que não deixará mais seus clientes tocarem nos testadores ou aplicarem os produtos em si mesmos. No lugar, os atendentes terão em sua posse testadores que serão aplicados em sua própria pele para que os clientes possam ver a cor, textura e outras características dos produtos sem precisarem tocá-los. Agora resta esperar para ver se as lojas brasileiras de maquiagem também vão se adaptar a essa nova realidade mundial.

Foto: Divulgação
Informações: Holding Comunicações

 

Deixe uma resposta