Live Moda DFB: Vitor Cunha evolui, mas mantem seu preciosismo artesanal

Jovem estilista mostra que criar e questionar estão de mãos dadas novamente e essa dupla é infalível quando o assunto é moda e resultados
Por Fernando Lackman

Quando um jovem estilista investe na ancestralidade – para trazer ao presente porções de arte manufatureiras –, é hora de revermos nossos conceitos acerca de como evoluímos. Muito tem se falado sobre valorização do feito à mão ou do ressignificar peças, mas sempre entendi que o que precisa ser ressignificado é o nosso pensamento. As gerações mudam, aprendem, inovam, renovam, mas costumam desistir por falta de insumos imateriais para evoluir, com Vitor Cunha, isso tem sido diferente.

O designer traduz o passado em um presente que atende com substância os desejos da geração dele. O espírito iluminista de desconstrução e da busca por novos modelos o inspirou no desenvolvimento da coleção que celebra o equilíbrio entre homem, natureza e conhecimento.

Sem qualquer fronteira, a marca de Vitor abraça o perfil de “moda para todos” e lança mão do contexto que diz que roupas são para pessoas, não para sexos.

Junto com o designer mineiro Emerson D’ Paula, foram criados crochês desconstruídos, esgarçados e puídos à primeira vista, mas que, de perto, mostram extrema técnica e apuro na manufatura. São o que podemos chamar de pulôveres de Verão, que ao invés de aquecer, ventilam e expõem partes do corpo.

A coleção propõe pele à mostra, calças e shorts com cintura deslocada para o alto, logo abaixo do peito – num jogo de desconstrução/reconstrução da anatomia. O fetiche do harness, uma espécie de “arreio” humano, aparece de forma discreta e pontual, para ser vestido/despido sob peças abertas, insinuando, mais do que mostrando.

A cartela de tons azuis, inspirada na chuva e nos rios, aparece em toda coleção. Entre os tecidos mais utilizados está o jeans. O que vem de uma ampla pesquisa nessa indústria têxtil. A estamparia vem de encontro com uso de tecnologia, visto que foi feita à laser e traduz geometria e delicadeza, em contraponto ao tye die comercial de então.

Nas modelagens, parcas, macacões utilitários, calças e shorts, jaquetas e camisas oversizes. Vitor ganhou ares de marca com produção de peças que aliam o design criativo – e repleto de artesanias –, com uma sútil vibe comercial.

Vitor exige que a moda seja descomplicada a partir do ponto de vista de atuação do ser humano no ambiente de criação. É como se outro significado para a existência dela e do que ela representa fosse colocado à prova e questionado para que possamos vislumbrar uma luz no fim desse túnel de desperdícios e falta de humanidade que vivemos.

Assista a apresentação

Confira o line up completo do projeto Live Moda do DFB Digifest clicando aqui.

Fotos: Igor Cavalcante/Divulgação DFB Digifest

 

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