Live Moda DFB: Lindebergue é resiliente e a favor de causas humanas urgentes

Estilista mais emocional do DFB mostra que história e sociedade devem muito ao movimento LGBTQIA+
Por Fernando Lackman

Com histórico de ser dono dos desfiles mais inesquecíveis e emocionantes do DFB Festival, Lindebergue Fernandes, o Lili, nos presenteou com uma apresentação que tem uma causa humana latente que precisa de maior notoriedade: o respeito por pessoas trans.

Ao prestar homenagem a Thina Rodrigues, travesti, negra, transformista, sertaneja e ativista icônica do Ceará, Lindebergue traz à tona uma revolta comumente vivida por quem é posicionado à margem criada para dividir pessoas de pessoas e que é infligida por uma sociedade que não entende que o que importa é o amor.

A amplitude do trabalho de Lili não está apenas em seus looks consagrados por serem espaçosos e cheios de mensagens – muito bem costuradas – nessa coleção encapsulada em quantidade, mas livre em inspiração. Está no grito que muitas pessoas dão todos os dias para se sentirem vivas e livres de preconceitos e dramas.

Imagens volumosas, amplas e links com a realidade propõem que essa apresentação represente um momento de evolução para o mercado. Um levante de aceitação e de força para que a moda desça dos saltos e suba nas causas.

Com um cast diverso, e a presença marcante do ator e performer Silvero Pereira, Lindebergue entrelaça a causa à defesa e valorização do artesanato local e genuíno. Os artesãos, suas vidas e suas lutas também são fonte de inspiração para a coleção, que traz peças com formas arredondadas e volumosas, amplos balonês, moletons oversized e “mangas-nuvens” – uma das marcas registradas do designer.

A cartela de cores desta coleção apresenta apenas tons crus, beges e terrosos, o que pode ser visto até na estampa criada por Maurício Alexandre, estudante de design de moda, que se inspirou na resiliência e no trabalho dos artesãos sertanejos.

Mais sobre Thina

Natural de Brejo Santo, Thina foi expulsa de casa pela família, aos 17 anos, por conta da sua sexualidade. Ao se mudar para Fortaleza, encontrou a arte transformista, a hostilidade e o desejo de mudar o corpo. Em plena ditadura militar, na década de 1980, foi presa por ser travesti. Livre e resiliente, encontrou um novo propósito: a militância política. Junto com a também ativista Janaína Dutra, fundou a Associação das Travestis do Ceará (Atrac) e fez parte do grupo de articuladoras da Coordenadoria Especial pela Diversidade Sexual de Fortaleza.

Assista a apresentação

Ficha técnica

Direção criativa: Lindebergue Fernandes
Modelagem e costura: Mary Braga
Styling: Jeydson Barros
Ilustração estamparia: Maurício Alexandre
Acessórios: Evelin Matthews
Adereço cabeça/turbante: Ciro Alencar
Trilha sonora: Guipson Pinheiro Neto

Confira o line up completo do projeto Live Moda do DFB Digifest clicando aqui.

Fotos: Igor Cavalcante/Divulgação DFB Digifest

 

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