{"version":"1.0","provider_name":"LACKMAN &amp; CO.","provider_url":"https:\/\/lackman.com.br","author_name":"Gilberto Evangelista - Colunista","author_url":"https:\/\/lackman.com.br\/index.php\/author\/gilberto-brito\/","title":"Yayoi Kusama, o fim do pontilhado - LACKMAN &amp; CO.","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"DeWvFQKkZg\"><a href=\"https:\/\/lackman.com.br\/index.php\/2026\/08\/27\/yayoi-kusama-o-fim-do-pontilhado\/\">Yayoi Kusama, o fim do pontilhado<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/lackman.com.br\/index.php\/2026\/08\/27\/yayoi-kusama-o-fim-do-pontilhado\/embed\/#?secret=DeWvFQKkZg\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Yayoi Kusama, o fim do pontilhado&#8221; &#8212; LACKMAN &amp; CO.\" data-secret=\"DeWvFQKkZg\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script>\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/lackman.com.br\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n<\/script>\n","thumbnail_url":"http:\/\/lackman.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/SaveClip.App_786578244_18123461713867416_279438181522897609_n.jpg","thumbnail_width":1511,"thumbnail_height":2035,"description":"Da dor ps\u00edquica \u00e0s bolinhas que conquistaram o mundo, artista japonesa transformou alucina\u00e7\u00f5es em linguagem art\u00edstica, aproximou arte da moda e levou mais de 400 mil pessoas ao CCBB Bras\u00edlia. H\u00e1 artistas que fazem arte. Yayoi Kusama fez de si pr\u00f3pria uma obra de arte. E talvez seja justamente por isso que sua morte, anunciada nesta quinta-feira, 27 de agosto, aos 97 anos, pese tanto sobre o mundo da cultura. A artista japonesa morreu em 14 de agosto, em um hospital de T\u00f3quio, onde vivia por vontade pr\u00f3pria havia d\u00e9cadas. At\u00e9 os \u00faltimos dias, continuou pintando. Kusama passou a vida transformando aquilo que poderia ser visto apenas como sofrimento em uma das linguagens mais reconhec\u00edveis da arte contempor\u00e2nea. Desde a inf\u00e2ncia, convivia com alucina\u00e7\u00f5es visuais e descrevia experi\u00eancias em que enxergava pontos, redes e padr\u00f5es que pareciam se multiplicar indefinidamente. Em vez de esconder esse universo, ela o colocou na tela, na escultura, na performance e, mais tarde, em instala\u00e7\u00f5es imersivas que fizeram milh\u00f5es de pessoas entrar literalmente dentro de sua mente. As famosas bolinhas, portanto, nunca foram apenas uma assinatura est\u00e9tica: eram tamb\u00e9m uma maneira de dar forma ao que ela via e sentia. E aqui est\u00e1 uma das dimens\u00f5es mais importantes de seu legado. Kusama ajudou a retirar o sofrimento ps\u00edquico do lugar de sil\u00eancio e vergonha e coloc\u00e1-lo no centro da conversa sobre cria\u00e7\u00e3o, identidade e exist\u00eancia. Ela falava abertamente sobre suas alucina\u00e7\u00f5es e sobre a rela\u00e7\u00e3o entre sua sa\u00fade mental e sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Depois de retornar ao Jap\u00e3o, em 1973, passou a viver em uma institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica em T\u00f3quio, mantendo um ateli\u00ea pr\u00f3ximo e uma rotina de produ\u00e7\u00e3o que atravessou d\u00e9cadas. Sua arte n\u00e3o deve, evidentemente, ser reduzida \u00e0 doen\u00e7a \u2014 Kusama foi uma artista extremamente sofisticada, consciente e radical \u2014, mas \u00e9 imposs\u00edvel compreender a pot\u00eancia de sua obra sem reconhecer como ela transformou uma experi\u00eancia ps\u00edquica profundamente particular em uma linguagem universal. Foi assim que pontos viraram infinito. E o infinito virou espelho, luz, ab\u00f3bora, sexo, corpo, natureza, obsess\u00e3o e, sobretudo, experi\u00eancia. Nas Infinity Mirror Rooms, o visitante deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte da obra, perdido entre reflexos e pontos luminosos. Em Inhotim, onde ganhou uma galeria permanente em 2023, est\u00e3o duas dessas experi\u00eancias imersivas, I\u2019m Here, But Nothing e Aftermath of Obliteration of Eternity, al\u00e9m de Narcissus Garden, com centenas de esferas espelhadas sobre a \u00e1gua. E se hoje parece absolutamente natural ver arte contempor\u00e2nea atravessar as fronteiras dos museus, da publicidade, da m\u00fasica e da moda, Kusama ajudou a pavimentar esse caminho. Ela entendeu antes de muita gente que uma linguagem art\u00edstica potente poderia ocupar tamb\u00e9m o cotidiano. Um dos cap\u00edtulos mais emblem\u00e1ticos foi sua parceria com a Louis Vuitton, iniciada a partir do encontro com Marc Jacobs e transformada em cole\u00e7\u00f5es que levaram seus famosos polka dots para bolsas, roupas, sapatos e acess\u00f3rios. A colabora\u00e7\u00e3o voltou a ganhar for\u00e7a em 2023, quando a maison retomou o universo visual da artista em uma nova cole\u00e7\u00e3o. Mas Bras\u00edlia tamb\u00e9m tem uma hist\u00f3ria especial com essa mulher que parecia enxergar o mundo em outra frequ\u00eancia. Em 2014, a exposi\u00e7\u00e3o \u201cObsess\u00e3o Infinita\u201d, apresentada no CCBB Bras\u00edlia, levou mais de 400 mil visitantes \u00e0s galerias \u2014 recorde de p\u00fablico do centro cultural na capital at\u00e9 ent\u00e3o. Filas enormes se formaram diante de uma exposi\u00e7\u00e3o que transformou pontos, espelhos, luzes e repeti\u00e7\u00e3o em um fen\u00f4meno popular. Bras\u00edlia, que tantas vezes se orgulha de sua monumentalidade arquitet\u00f4nica, descobriu ali uma outra forma de ocupar o espa\u00e7o: entrando no universo infinito de Kusama. \u00a0 Talvez seja essa a imagem que fica. Uma mulher japonesa que saiu de Matsumoto, atravessou a vanguarda de Nova York nos anos 1960, enfrentou preconceitos, apagamentos e crises, voltou ao Jap\u00e3o e, sem abandonar suas obsess\u00f5es, construiu uma das identidades mais poderosas da arte mundial. Uma artista que fez da repeti\u00e7\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o e daquilo que poderia ser considerado um limite uma possibilidade de expans\u00e3o. Yayoi Kusama nos ensinou que o infinito pode caber em uma bolinha. Que uma alucina\u00e7\u00e3o pode virar linguagem. Que a arte tamb\u00e9m pode ser abrigo. E que aquilo que nos assusta, quando encontra forma, talvez deixe de nos dominar. A artista partiu, mas seu universo n\u00e3o tem a menor inten\u00e7\u00e3o de acabar. E talvez seja exatamente por isso que suas bolinhas continuam nos olhando de volta. &nbsp; P.s. Siga @yayoikusamamuseum Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram"}