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<oembed><version>1.0</version><provider_name>LACKMAN &amp; CO.</provider_name><provider_url>https://lackman.com.br</provider_url><author_name>Gilberto Evangelista - Colunista</author_name><author_url>https://lackman.com.br/index.php/author/gilberto-brito/</author_url><title>Yayoi Kusama, o fim do pontilhado - LACKMAN &amp; CO.</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="V2Ik69v62V"&gt;&lt;a href="https://lackman.com.br/index.php/2026/08/27/yayoi-kusama-o-fim-do-pontilhado/"&gt;Yayoi Kusama, o fim do pontilhado&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://lackman.com.br/index.php/2026/08/27/yayoi-kusama-o-fim-do-pontilhado/embed/#?secret=V2Ik69v62V" width="600" height="338" title="&#x201C;Yayoi Kusama, o fim do pontilhado&#x201D; &#x2014; LACKMAN &amp; CO." data-secret="V2Ik69v62V" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script&gt;
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Kusama passou a vida transformando aquilo que poderia ser visto apenas como sofrimento em uma das linguagens mais reconhec&#xED;veis da arte contempor&#xE2;nea. Desde a inf&#xE2;ncia, convivia com alucina&#xE7;&#xF5;es visuais e descrevia experi&#xEA;ncias em que enxergava pontos, redes e padr&#xF5;es que pareciam se multiplicar indefinidamente. Em vez de esconder esse universo, ela o colocou na tela, na escultura, na performance e, mais tarde, em instala&#xE7;&#xF5;es imersivas que fizeram milh&#xF5;es de pessoas entrar literalmente dentro de sua mente. As famosas bolinhas, portanto, nunca foram apenas uma assinatura est&#xE9;tica: eram tamb&#xE9;m uma maneira de dar forma ao que ela via e sentia. E aqui est&#xE1; uma das dimens&#xF5;es mais importantes de seu legado. Kusama ajudou a retirar o sofrimento ps&#xED;quico do lugar de sil&#xEA;ncio e vergonha e coloc&#xE1;-lo no centro da conversa sobre cria&#xE7;&#xE3;o, identidade e exist&#xEA;ncia. Ela falava abertamente sobre suas alucina&#xE7;&#xF5;es e sobre a rela&#xE7;&#xE3;o entre sua sa&#xFA;de mental e sua produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica. Depois de retornar ao Jap&#xE3;o, em 1973, passou a viver em uma institui&#xE7;&#xE3;o psiqui&#xE1;trica em T&#xF3;quio, mantendo um ateli&#xEA; pr&#xF3;ximo e uma rotina de produ&#xE7;&#xE3;o que atravessou d&#xE9;cadas. Sua arte n&#xE3;o deve, evidentemente, ser reduzida &#xE0; doen&#xE7;a &#x2014; Kusama foi uma artista extremamente sofisticada, consciente e radical &#x2014;, mas &#xE9; imposs&#xED;vel compreender a pot&#xEA;ncia de sua obra sem reconhecer como ela transformou uma experi&#xEA;ncia ps&#xED;quica profundamente particular em uma linguagem universal. Foi assim que pontos viraram infinito. E o infinito virou espelho, luz, ab&#xF3;bora, sexo, corpo, natureza, obsess&#xE3;o e, sobretudo, experi&#xEA;ncia. Nas Infinity Mirror Rooms, o visitante deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte da obra, perdido entre reflexos e pontos luminosos. Em Inhotim, onde ganhou uma galeria permanente em 2023, est&#xE3;o duas dessas experi&#xEA;ncias imersivas, I&#x2019;m Here, But Nothing e Aftermath of Obliteration of Eternity, al&#xE9;m de Narcissus Garden, com centenas de esferas espelhadas sobre a &#xE1;gua. E se hoje parece absolutamente natural ver arte contempor&#xE2;nea atravessar as fronteiras dos museus, da publicidade, da m&#xFA;sica e da moda, Kusama ajudou a pavimentar esse caminho. Ela entendeu antes de muita gente que uma linguagem art&#xED;stica potente poderia ocupar tamb&#xE9;m o cotidiano. Um dos cap&#xED;tulos mais emblem&#xE1;ticos foi sua parceria com a Louis Vuitton, iniciada a partir do encontro com Marc Jacobs e transformada em cole&#xE7;&#xF5;es que levaram seus famosos polka dots para bolsas, roupas, sapatos e acess&#xF3;rios. A colabora&#xE7;&#xE3;o voltou a ganhar for&#xE7;a em 2023, quando a maison retomou o universo visual da artista em uma nova cole&#xE7;&#xE3;o. Mas Bras&#xED;lia tamb&#xE9;m tem uma hist&#xF3;ria especial com essa mulher que parecia enxergar o mundo em outra frequ&#xEA;ncia. Em 2014, a exposi&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Obsess&#xE3;o Infinita&#x201D;, apresentada no CCBB Bras&#xED;lia, levou mais de 400 mil visitantes &#xE0;s galerias &#x2014; recorde de p&#xFA;blico do centro cultural na capital at&#xE9; ent&#xE3;o. Filas enormes se formaram diante de uma exposi&#xE7;&#xE3;o que transformou pontos, espelhos, luzes e repeti&#xE7;&#xE3;o em um fen&#xF4;meno popular. Bras&#xED;lia, que tantas vezes se orgulha de sua monumentalidade arquitet&#xF4;nica, descobriu ali uma outra forma de ocupar o espa&#xE7;o: entrando no universo infinito de Kusama. &#xA0; Talvez seja essa a imagem que fica. Uma mulher japonesa que saiu de Matsumoto, atravessou a vanguarda de Nova York nos anos 1960, enfrentou preconceitos, apagamentos e crises, voltou ao Jap&#xE3;o e, sem abandonar suas obsess&#xF5;es, construiu uma das identidades mais poderosas da arte mundial. Uma artista que fez da repeti&#xE7;&#xE3;o uma revolu&#xE7;&#xE3;o e daquilo que poderia ser considerado um limite uma possibilidade de expans&#xE3;o. Yayoi Kusama nos ensinou que o infinito pode caber em uma bolinha. Que uma alucina&#xE7;&#xE3;o pode virar linguagem. Que a arte tamb&#xE9;m pode ser abrigo. E que aquilo que nos assusta, quando encontra forma, talvez deixe de nos dominar. A artista partiu, mas seu universo n&#xE3;o tem a menor inten&#xE7;&#xE3;o de acabar. E talvez seja exatamente por isso que suas bolinhas continuam nos olhando de volta. &nbsp; P.s. Siga @yayoikusamamuseum Fotos: Reprodu&#xE7;&#xE3;o/Instagram</description></oembed>
