Fábio Maca para Montblanc: “Entender a própria letra é aprender sobre si mesmo”

Especialista usa a escrita à mão como forma meditativa e até terapêutica para expansão da consciência humana e melhor entendimento da personalidade
Por Fernando Lackman

A escrita está no topo da lista dos propósitos de comunicação entre os seres humanos desde o período da pré-história, tais registros, conhecidos como pinturas rupestres, eram desenhos em paredes de cavernas que contavam histórias e transmitiam ideias desses povos, pois representavam seus desejos e necessidades. Há quem diga que era a escrita daquele povo, mas, uma grande maioria refuta essa tese, pois sim, era uma forma de se comunicar, entretanto, não havia organização ou padronização no contexto.

A escrita, muito deixada de lado no final do século XX, volta à cena como tema de debates sobre resgates, e no ponto que trataremos aqui, é também uma forma de restaurar a comunicação e, até utilizá-la como ferramenta de meditação e terapia. Análises de formas, padrões, intensidade e até o que pode ser entendido acerca da personalidade por intermédio da escrita, é um dos trabalhos do calígrafo Fábio Maca.

Modelo Starwalker Montblanc

Fábio é tão especial no que se refere ao ato de escrever, que a badalada e desejada Montblanc, marca alemã, que iniciou o processo de valorização do ato de manuscrever com criação de canetas de luxo – de qualidade ímpar –, e que desenvolve até hoje ações que respeitam e valorizam a arte de escrever à mão, o convidou para aguçar a vontade de seletos expectadores e admiradores da brand.

Recentemente, Maca deu um workshop on-line sobre como criar mensagens, que além de mexer com o imaginário, podem ser consideradas obras de arte, do ponto de vista do capricho e solenidade. Conversei com o especialista após a live instigante e pude perceber o quão é importante ter a comunicação escrita resgatada. Confira:

Quais são os melhores motivos para investir no entendimento da sobre a escrita?

Na minha opinião entender a sua letra é se entender. Então quando você tem consciência de como ela é e do que ela transmite como estética você pode escolher mudar a sua letra para que ela represente melhor quem você é.

Por exemplo: se eu sou uma pessoa mais introvertida, mais calada, e eu quero ter uma letra que me ajude a sair um pouco desse lugar. Aí eu posso tentar elaborar uma letra que seja um pouco maior, um pouco mais ampla, um pouco mais arredondada.

Ao passo que se eu sou uma pessoa mais impetuosa ou mais vigorosa, eu posso ter uma letra que acompanhe esse mood. Eu posso ter uma letra que é mais masculina, mais triangular, mais viva, mais pesada.

Então o entendimento da escrita, da letra de mão, é o entendimento de si e de como eu posso transformar a minha letra a partir dessa pesquisa de quem eu sou, do que eu gosto e do que eu quero representar e do que eu represento.

É possível afirmar que a escrita pode ser um apoio terapêutico?

Eu acho que apoio terapêutico é uma expressão muito forte. Não dá para a gente dizer cientificamente que a escrita é um apoio terapêutico. Dá sim para a gente dizer que a escrita tem muitas semelhanças com várias práticas e filosofias de meditação.

Como falamos no nosso papo você entra em contato consigo, você está mais no presente. Você não está nem no passado e nem no futuro. Você entra em contato muitas vezes com as suas ideias. Você amplia a sua consciência porque você está vendo a sua letra e pode modificá-la e se modificar. Você entra num fluxo de ritmo, de cadência. Que é o fluxo que muitas meditações baseadas em respiração e batimento cardíaco usam para entrar em estados meditativos.

Então sim, dá para a gente pesquisar a escrita e tentar utilizá-la como uma prática meditativa. Que vai te acalmar, que vai te ancorar no agora e que vai te colocar em contato consigo. Portanto um tanto terapêutica. Porque tudo o que te coloca em contato consigo numa busca de expansão de consciência vai ter uma intenção mais terapêutica.

Existe uma indicação sobre uma caneta para que o processo seja mais fácil ou que se obtenha melhores resultados?

O que eu sugiro para iniciar é uma lapiseira porque você não precisa se preocupar tanto com a pressão. O grafite é mais maleável, mais fácil de utilizar. Depois para evoluir eu sugiro uma esferográfica ou uma roller. Não tem nada que precise ser super específico do tipo tem que ser uma caneta x, y, z porque senão não dá certo. Não, é a tua letra, é a tua expressão.

E aí cabe o teste do que vai melhor na pesquisa da sua expressão. Eu sugiro no início o lápis ou a lapiseira, depois uma evolução para a roller ou a esferográfica e depois, o ápice da experiência são as canetas tinteiros, sem dúvida.

Porque você já vai ter a experiência da tinta, as penas têm espessuras diferentes, são flexíveis. Então aí você consegue explorar ao máximo essa experiência da escrita.

Pode indicar um modelo Montblanc para quem quer iniciar no processo?

Para esfero e a roller tem uma linha da Montblanc superbacana, com cores bonitas, baseadas na Pantone que se chama Montblanc Pix. É uma linha até de entrada, com preços mais acessíveis.
E depois quando evoluir para a tinteiro eu sugiro a linha Montblanc StarWalker (foto), que é uma linha onde a pena é um pouco mais rígida e você tem um pouco mais de firmeza e mais segurança na mão.

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Fotos: Divulgação e Flavia Valsani/Divulgação

 

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