Chanel troca desfile por vídeo e levanta polêmica sobre shows

Grife tenta se adaptar ao novo e apresenta o que seria desfilado, em fashion vídeo que transporta expectadores a uma possibilidade de balada mediterrânea


Chanel deu o pontapé inicial ao que podemos chamar de “revolução das passarelas”. Tanto foi dito que os desfiles acabariam, que, pelo menos por um tempo, eles acabaram. Mas, não é fato afirmativo e certo que deixa de existir como conhecemos e tanto amamos.

As experimentações serão muitas. Trata-se de um período com muitas apostas sobre o que será possível e sobre se a soluções encontradas pelos produtores serão inteligentes, interessantes e viáveis.

Vale ressaltar, que sob uma pressão como a que estamos a viver, os resultados de novos formatos são avassaladores para o bem ou para o mal. Podem acabar por destruir reputações ou logo cair em esquecimento. Causam emoções ou deslocamentos do que demoramos tanto para conceitualizar, mas não nos deixa confortáveis (afinal, o que justifica o esforço e a correria para ver a apresentação da grife, se o vídeo estará pela rede para todo sempre?). Estaria sendo destruído aqui, todo o “frisson” causado pelos lançamentos, apresentações e fashion weeks?

A moda perde sem essa correria fashion? Parece que não, visto que a semana francesa de alta-costura ocorrerá em julho, toda on-line. Mas as questões não param por aí. Se acabarem os desfiles, pode ser que até algumas profissões regulamentadas se percam na história. Algumas funções deixem de existir, e principal e tristemente, a alegria e as emoções que a moda proporciona, tenham seus tristes fins.

Muitos formatos já existem. O que a Chanel fez, por exemplo, pode ser considerado um fashion filme da coleção, que chegará às boutiques em novembro (vê-se aí a primeira destruição à caminho: a do see now buy now). 

Se Chanel, dirigida por Virginie Viard, resolveu mostrar a “Balade en Méditerranée”, coleção Cruise 2020/21 em um vídeo elegante, no qual fica claramente transparente o olhar sobre uma viagem pelo Mediterrâneo, com modelos expressando, em olhares e poses, uma imagem de tendência fotográfica que se vê em campanhas internacionais há anos – sem personagens criadas para representar essa mulher da proposta -, mas com ares da sonhada liberdade vista em cenas das Rivieras Francesas e Italianas como cenário. Imaginem o que vem por aí… Ah! E visualizem também toda um carimbo de esperança no que mostraram, mas nesse momento, apenas imaginem, pois, viajar pra tentar a experiência é, completamente, fora de moda.

Não se trata de um novo modo de fazer o que precisa ser feito. É apenas um modo diferente do usual. Não se reescreve a história pelo fato da necessidade de fazê-lo. A história acontece. E pelo visto, continuará sendo contada da melhor forma, assim que puder voltar ao “normal”.

Fotos: Reprodução site Chanel

 

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